A maioria dos pecuaristas precisa estar consciente da necessidade de produzir animais padronizados. A desculpa que os frigoríficos não pagam a mais pelos animais melhores não pode mais ser usada, pois daqui a pouco a indústria não comprará mais a carne fora dos requisitos impostos pelo mercado, já que a mesma não tem liquidez. Esse tipo de ação não pode aguardar normas ou ações governamentais para acontecer. A iniciativa dever ser da cadeia produtiva.
As afirmações são do zootecnista Juliano Sabella Acedo, coordenador de marketing da Tortuga, empresa de suplementos minerais e medicamentos veterinários. Acedo será um dos palestrantes do Simpósio 2004 - Nelore Natural, que acontece na semana que vem em Ribeirão Preto (SP). O zootecnista vai abordar o tema: A Necessidade de Padronização de Carcaça, incluído no evento, que terá também discussões e palestras sobre desafios da pecuária brasileira, qualidade da carne, mercado, entre outros.
Segundo Acedo, as mudanças dos padrões de produção de carne não são feitas do dia para a noite, é um processo lento que precisa de tempo para ser instalado. ''Um exemplo disso é a rastreabilidade, muitos produtores ficaram esperando que se pagasse mais pelo animal rastreado para adotá-la, mesmo sabendo que esse é um caminho sem volta. Resultado: faltou boi rastreado no mercado e quem adotou a rastreabilidade com antecedência levou vantagem porque possuía um produto altamente demandado e escasso no mercado.''
O mesmo vai acontecer com a carne de qualidade, garante o zootecnista. Ele cita exemplo de alguns programas como o do Nelore Natural, da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), que conseguem agregar valor na arroba para o produtor. Esse tipo de iniciativa, na opinião de Acedo, permite o estabelecimento de marcas fortes no mercado, que transmitam conceitos para os consumidores sobre as qualidades, os benefícios e os diferenciais da carne bovina. ''O Brasil é o único país com possibilidade de ampliar a produção nos próximos anos, e o único que capaz de produzir a carne que o mundo quer: a carne do boi verde,'' afirma.
A ampliação de mercados, conforme o zootecnista, passa pela mudança na relação entre frigoríficos e pecuaristas, uma questão antiga. Para mudar essa situação devem ser adotadas alianças estratégicas entre os elos da cadeia buscando agregar valor na carne, opina. ''Entende-se por cadeia da carne, todos os elos envolvidos na produção e comercialização: empresas de insumos, pecuaristas, frigoríficos, atacadistas, distribuidores, pontos de venda, etc.''
Para a aliança funcionar, conforme Acedo, é preciso ouvir o consumidor; e a cadeia inteira deve trabalhar para atender as suas vontades. O fornecimento de produtos diferenciados permite a construção de marcas, e essas marcas podem agregar valor ao produto carne e aumentar o preço pago ao produtor. Mas a construção de marcas de carne enfrenta alguns empecilhos, como a falta de animais padronizados. Segundo ele, a maioria dos pecuaristas ainda não trabalha buscando a padronização que o mercado quer.
''É claro que essa situação está mudando, mas esse trabalho realizado por vários pecuaristas ainda não garante a regularidade do abastecimento, essencial para a sustentação de uma marca,'' avisa Acedo. Segundo ele, as alianças na cadeia são essenciais para transformar a commodity ''carne'' em um produto diferenciado, que vai agregar valor para todos os elos.

Serviço: A programação completa do Simpósio Nelore 2004 - Os Novos Desafios da Pecuária Brasileira e informações adicionais estão no site: www.nelore.org.br.

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