Desafios a longo prazo
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sexta-feira, 04 de maio de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
O corte de investimentos em renovação nas lavouras de cana-de-açúcar no Brasil, iniciada durante a crise econômica de 2008, ainda traz consequências para produtores e usinas. Mesmo com a retomada de investimentos e o anúncio de apoio do governo federal para o setor sucroalcooleiro, o mercado ainda segue em baixa. No Paraná, a situação não é diferente. Segundo representantes da Associação de Produtores de Bionergia do Paraná (Alcopar), o Estado tem iniciado o processo de recuperação das lavouras, mas os resultados só vão começar a aparecer a médio e longo prazos.
Só nesta safra, a área plantada de cana no Estado foi de 594,5 mil hectares, 4% a mais do que no ciclo anterior. Mas devido à baixa produtividade e à estiagem que atingiu o Paraná nesse início de ano, o incremento de área não deve aumentar a produção de cana. Dados da Alcopar apontam uma quebra de 15% na temporada. Neste ano, a produção deverá ficar em torno ou abaixo de 40,5 milhões de toneladas, mesmo volume registrado no ano passado.
Segundo José Adriano da Silva Dias, superintendente da Alcopar, as más condições climáticas foram um grande problema para o setor, mas a falta de investimentos nas lavouras ainda é o principal fator da atual crise sucroenergética. Segundo Dias, a inexistência de uma política concreta de fomento ao setor nos últimos anos deixou o empresário brasileiro na dúvida se investe ou não na ampliação e renovação dos canaviais. Vendo a falta de matéria-prima disponível, o superintendente sugere que o governo brasileiro inicie a importação de etanol, já que os estoques acabaram. Só neste ano, o Brasil deverá comprar 1,2 bilhão de litros do combustível para suprir a demanda nacional. No ano passado, a compra superou 1,3 bilhão de litros.
O representante da Alcopar completa que a falta de cana-de-açúcar já fez com que a participação do etanol no mercado brasileiro de energia renovável caísse de 45% para 35% nos últimos quatro anos. Sérgio Prado, representante da União dos Produtores de Cana-de-Açúcar (Unica), reafirma que no Brasil o processo de renovação das lavouras de cana já começou. Porém, segundo ele, a resposta dos investimentos é demorada, já que trata-se de uma cultura perene.
Prado explica que só nesta safra, 20% das lavouras da região Centro-Sul do País deverão ser renovadas, mesmo índice registrado no Paraná. ''Temos que reestruturar o setor para que voltemos a atender às necessidades do mercado'', sublinha. O representante da Unica revela que até 2020 o Brasil terá que dobrar a produção de cana-de-açúcar para dar conta da demanda. Para alcançar essa meta, Prado observa que serão necessários investimentos na ordem de R$ 150 milhões em produção. Ele completa que caberá às usinas e ao governo federal apoiarem a renovação e ampliação das lavouras de cana-de-açúcar. O especialista destaca que o apoio dado pelo governo federal neste ano foi o 'pontapé' inicial para dar início à reestruturação do setor.
Estratégia
Diante das dificuldades do segmento e da demana do mercado, o governo lançou o Plano Estratégico do Setor Sucroalcooleiro, no início do ano, que prevê investimentos na ordem de R$ 65 bilhões. A ideia é expandir a oferta da matéria-prima para a produção de etanol no País. Na época, foi anunciado que o plano se apoiaria em três medidas. A primeira, a renovação dos canaviais em 6,4 milhões de hectares de cana-de-açúcar até 2015, com custos estimados em R$ 29 bilhões. A segunda ação é atender a capacidade instalada das usinas, com recursos na ordem de R$ 8,5 bilhões em 1,4 milhões de hectares. A terceira ação pretende elevar a oferta de matéria-prima para as indústrias, com investimentos de R$ 23 bilhões.


