O produtor Alvin Warketin, de Palmeira (40 km ao sul de Ponta Grossa), bem que tentou produzir o leite orgânico. Em 1999 ele e mais um grupo de produtores iniciaram a produção de 1.500 litros/dia que eram entregues na Cooperativa Mista Agrícola de Witimarsun.
Os produtores tinham certificação, mas a aprovação para vender o leite rotulado como orgânico foi indeferida no Ministério da Agricultura. Sem isso, o produto era vendido como convencional.
Em 1998 um grupo de produtores da região de Witimarsun, no Sul do Paraná, decidiu deixar a produção tradicional de leite e passar a fazer o orgânico. As justificativas para as mudanças eram muitas. Entre elas o desejo de produzir um alimento mais saudável e mais atrativo em termos de mercado e, portanto remuneração.
Foi criada a Associação de Agricultores Ecológicos de Witimarsun para fazer o leite Bioland, com uma produção, na época de mil litros/dia que chegou a somar 1.500 litros. O leite era entregue na cooperativa local, da qual o grupo era associado. Foi aí que começaram as dificuldades dos produtores que não poderiam comercializar o leite rotulado como orgânico porque não existia a autorização do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA), do Ministério da Agricultura (MA). ''Se fosse rotulado como orgânico poderia-se obter um preço de 30% a 40% a mais,'' explica Alvin Warketin, na época presidente da associação dos produtores.
Cheio de entraves Embora existisse, na época, uma instrução normativa de maio de 1999, assinada pelo então ministro da Agricultura, Francisco Turra, que englobava processo de produção e comercialização de produtos orgânicos, técnicos do setor alegavam que havia falta de pessoas habilitadas para a fiscalização, especialmente no caso do leite na indústria.
Ao que parece, conta o produtor, dentro do próprio Ministério da Agricultura não existia entendimento e comunicação entre as diversas secretarias. Mesmo com uma instrução normativa o DIPOA não reconhecia e nem deixava comercializar ou colocar o rótulo de orgânico no leite.
O produtor acredita também que houve falta de vontade para autorizar a rotulagem do produto o que atrapalhou todo o processo.
Alvin deixou de produzir o leite orgânico há um ano e meio. Primeiro foram as dificuldades em agregar maior valor ao seu produto e, depois, as dificuldades que todo o setor leiteiro enfrentou com redução de preços, competição com produtos importados, entre outros.
Os produtores que antes produziam o leite orgânico, segundo Alvin, hoje estão no ''meio termo.'' O grupo, que reunia seis produtores, desistiu do projeto, mas muitos ainda continuam utilizando técnicas orgânicas de produção em lavouras de grãos, frutas e outros produtos.
O uso do sistema de produção orgânica, segundo Alvin, reduz custos e por isso ainda é favorável. As técnicas são utilizadas nas pastagens, com adubação, e também na sanidade dos animais, com tratamento homeopático na prevenção de doenças.
Se conseguissem a liberação do Ministério, segundo Alvin, hoje seria possível uma produção diária de 5 mil litros de leite orgânico.
Alvin se mostra estimulado com a notícia de que a pesquisa deverá destinar maior atenção à produção de leite orgânico no País. Depois de desistir do leite ele ainda contina usando o sistema para o cultivo da soja e hoje trabalha como técnico agrícola, junto a uma entidade particular, na orientação desse modo de produção em algumas propriedades que cultivam soja, feijão e milho no centro-sul do Paraná.
Outra alternativa dos produtores daquela região, na Colônia Witimarsun, segundo Alvin, tem sido a produção de morango orgânico com a entrega de 200 a 300 kg/dia numa grande rede de supermercados de Curitiba. Cada produtor recebe cerca de R$ 6 pelo kg da fruta. A remuneração é ótima, garante Alvin, já que outros produtores de morango convencional têm recebido R$ 1,20 pelo kg. ''Como existe negociação sem intermediários é possível obter alta rentabilidade.''
Os custos com a conversão de uma propriedade leiteira que hoje tem o sistema convencional para o orgânico não representam um entrave na adoção do sistema alternativo. Enquanto muda o processo de produção, o produtor recebe como leite convencional e, depois, com tudo pronto, é possível agregar de 30% a 50% no valor recebido pelo leite, garante.
Alvin acredita que com apoio da pesquisa será possível ampliar cultivo, venda e rentabilidade com o sistema de produção de alimentos orgânicos. Segundo ele, os consumidores têm procurado por produtos alternativos, que garantem qualidade e também o menor uso de químicos possível o que obriga produtores, atacadistas e varejistas a ampliarem suas ofertas. ''Já tivemos a era da informática, por exemplo, agora chegamos, acredito, na era da saúde em que a preocupação com o bem estar social e ambiental levará a maior incentivo na produção de alimentos mais naturais.''

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