Desafio para o próximo milênio
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sexta-feira, 11 de abril de 1997
Cristina Côrtes 
Marcos BorgesUtilidadeO pesquisador Sérgio de Carvalho destacou que o paisagismo não é apenas questão de estéticaCom a abertura do mercado brasileiro às importações, a atividade agrícola precisa responder rapidamente a novas exigências do momento atual. A economia nacional sempre se caracterizou por ser protegida e fechada ao mercado externo, e hoje o mundo está acabando com as fronteiras comerciais.
Esta foi a idéia central da palestra apresentada pelo pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa-Soja), Décio Luiz Gazzoni, que também é consultor do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, consultor da Universidade Latino-Americana e do Caribe e consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ele falou na última terca-feira, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, sobre o tema Agropecuária Brasileira - Desafios do Próximo Milênio, em evento promovido pela Associação das Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina.
CompetitividadeHoje não existe mais espaço para proteção de mercados através de decretos e leis. Não adianta o produtor ficar esperando ou reivindicando que o Governo tenha as iniciativas de proteção. Tem-se que encarar o problema de frente, e só vai vencer quem tiver condições de competir, destacou Décio Gazzoni.
As condições para competir são: preço, qualidade, garantia de entrega (sem amadorismo), diversificação da produção, proteção ambiental (deixou de ser um simples discurso), marketing, condições de pagamento, existência de mercados em potencial como URSS, China e Sudeste asiático.
O pesquisador explicou cada um destes itens, lembrando que é preciso buscar sempre um diferencial na sua produção. Ele citou como exemplo a questão ambiental. Se voce oferece um produto lá fora, com o mesmo preço e a mesma qualidade, mas se preocupa e trabalha dentro de conceitos de conservação de solos, os consumidores levarão isto em consideração, e este será um diferencial que determinará a escolha, explicou.
Segundo Décio, o Paraná precisa investir mais em marketing lá fora, e mostrar os trabalhos aqui realizados na área de conservação e proteção do meio ambiente.
InvestimentosQuando se fala no uso de tecnologia, o primeiro pensamento que vem é a necessidade de investimentos. E como o produtor pode investir, se está já tão descapitalizado na sua atividade? A esta questão o pesquisador responde que é preciso buscar parcerias com os governos federal e estaduais, iniciativa privada e recursos estrangeiros.Reclamar do Governo serve de consolo, mas não resolve o problema. Só existe um caminho: o da profissionalização.
O pesquisador informa que o clima de tranquilidade que vive o mundo, com exceção de alguns conflitos localizados, possibilitou mudança nas regras de comercialização entre a maioria dos países, com a redução das barreiras comerciais, medidas protecionistas e redução de alíquotas para exportação.
Depois de superados o período de Guerra Fria e os conflitos entre o Leste e o Oeste, e com a interrupção da corrida armamentista que consumia somas fabulosas de recursos, hoje sobra dinheiro lá fora para investimentos em países ou negócios que tenham futuro. A industrialização de armas consumia milhares de dólares em todo o mundo, os quais hoje estão disponíveis para investimentos na produção, principalmente, de alimentos, comentou.
Para quem está sempre reclamando da abertura de mercado no Brasil, Décio afirmou que esta abertura era inevitável: Se não tivesse sido o Collor, teria sido outro governante, porque o mundo exige hoje uma nova postura nas relações comerciais.
Finalizando, o pesquisador disse que no Brasil temos todas as condições para competir e vencer neste mercado.Só falta gerenciamento, capacidade administrativa dos fatores de produção. E isto em todos os segmentos, tanto do Governo que traça as políticas agrícolas, como do produtor, como do trabalhador da terra, concluiu.
PaisagismoPaisagismo Rural foi o tema de outra palestra promovida pela Associação das Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina. O pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná, Sérgio de Carvalho deu um apanorama geral sobre a importância do paisagismo rural e urbano. Ele destacou que o planjamento ambiental visando a integração do homem com a natureza é importante no desenvolvimento de qualquer atividade.
Quando se fala em paisagismo, a primeira idéia que surge é com relação a lazer e estética, mas o pesquisador lembra que o paisagismo também pode ser um agronegócio. Tanto a produção de mudas de plantas ornamentais, ou mesmo de produção de grama pode ser uma alternativa para diversificar a propriedade.
Outra preocupação do pesquisador com o ambiente rural, e implantar um paisagismo que seja funcional, estético, mas que também seja ecologicamente correto, no sentido de preservar e proteger o meio ambiente.


