Marcos BorgesUtilidadeO pesquisador Sérgio de Carvalho destacou que o paisagismo não é apenas questão de estéticaCom a abertura do mercado brasileiro às importações, a atividade agrícola precisa responder rapidamente a novas exigências do momento atual. A economia nacional sempre se caracterizou por ser protegida e fechada ao mercado externo, e hoje o mundo está acabando com as fronteiras comerciais.
Esta foi a idéia central da palestra apresentada pelo pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa-Soja), Décio Luiz Gazzoni, que também é consultor do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, consultor da Universidade Latino-Americana e do Caribe e consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ele falou na última terca-feira, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, sobre o tema ‘‘Agropecuária Brasileira - Desafios do Próximo Milênio’’, em evento promovido pela Associação das Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina.
CompetitividadeHoje não existe mais espaço para proteção de mercados através de decretos e leis. Não adianta o produtor ficar esperando ou reivindicando que o Governo tenha as iniciativas de proteção. ‘‘Tem-se que encarar o problema de frente, e só vai vencer quem tiver condições de competir’’, destacou Décio Gazzoni.
As condições para competir são: preço, qualidade, garantia de entrega (sem amadorismo), diversificação da produção, proteção ambiental (deixou de ser um simples discurso), marketing, condições de pagamento, existência de mercados em potencial como URSS, China e Sudeste asiático.
O pesquisador explicou cada um destes itens, lembrando que é preciso buscar sempre um diferencial na sua produção. Ele citou como exemplo a questão ambiental. ‘‘Se voce oferece um produto lá fora, com o mesmo preço e a mesma qualidade, mas se preocupa e trabalha dentro de conceitos de conservação de solos, os consumidores levarão isto em consideração, e este será um diferencial que determinará a escolha’’, explicou.
Segundo Décio, o Paraná precisa investir mais em marketing lá fora, e mostrar os trabalhos aqui realizados na área de conservação e proteção do meio ambiente.
InvestimentosQuando se fala no uso de tecnologia, o primeiro pensamento que vem é a necessidade de investimentos. E como o produtor pode investir, se está já tão descapitalizado na sua atividade? A esta questão o pesquisador responde que é preciso buscar parcerias com os governos federal e estaduais, iniciativa privada e recursos estrangeiros.‘‘Reclamar do Governo serve de consolo, mas não resolve o problema. Só existe um caminho: o da profissionalização’’.
O pesquisador informa que o clima de tranquilidade que vive o mundo, com exceção de alguns conflitos localizados, possibilitou mudança nas regras de comercialização entre a maioria dos países, com a redução das barreiras comerciais, medidas protecionistas e redução de alíquotas para exportação.
Depois de superados o período de Guerra Fria e os conflitos entre o Leste e o Oeste, e com a interrupção da corrida armamentista que consumia somas fabulosas de recursos, hoje sobra dinheiro lá fora para investimentos em países ou negócios que tenham futuro. ‘‘A industrialização de armas consumia milhares de dólares em todo o mundo, os quais hoje estão disponíveis para investimentos na produção, principalmente, de alimentos’’, comentou.
Para quem está sempre reclamando da abertura de mercado no Brasil, Décio afirmou que esta abertura era inevitável: ‘‘Se não tivesse sido o Collor, teria sido outro governante, porque o mundo exige hoje uma nova postura nas relações comerciais’’.
Finalizando, o pesquisador disse que no Brasil temos todas as condições para competir e vencer neste mercado.‘‘Só falta gerenciamento, capacidade administrativa dos fatores de produção. E isto em todos os segmentos, tanto do Governo que traça as políticas agrícolas, como do produtor, como do trabalhador da terra’’, concluiu.
Paisagismo‘‘Paisagismo Rural’’ foi o tema de outra palestra promovida pela Associação das Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina. O pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná, Sérgio de Carvalho deu um apanorama geral sobre a importância do paisagismo rural e urbano. Ele destacou que o planjamento ambiental visando a integração do homem com a natureza é importante no desenvolvimento de qualquer atividade.
Quando se fala em paisagismo, a primeira idéia que surge é com relação a lazer e estética, mas o pesquisador lembra que ‘‘o paisagismo também pode ser um agronegócio’’. Tanto a produção de mudas de plantas ornamentais, ou mesmo de produção de grama pode ser uma alternativa para diversificar a propriedade.
Outra preocupação do pesquisador com o ambiente rural, e implantar um paisagismo que seja funcional, estético, mas que também seja ecologicamente correto, no sentido de preservar e proteger o meio ambiente.

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