O grande desafio do próximo milênio na agricultura paranaense será garantir a permanência do produtor no campo. Para isso, é necessário investir mais em programas de incentivo à diversificação, à agroindústria familiar e à profissionalização do produtor, com o envolvimento direto dos governos estadual e federal, de instituições de pesquisa e de extensão rural e de cooperativas. A previsão é do presidente da Emater do Paraná, Rogério Faucz.
Segundo ele, a agricultura do Estado está passando por um processo de transformação, em que as propriedades começam a ser encaradas como empresas. ‘‘É uma mudança necessária para que essas propriedades se viabilizem’’, afirma. Nesse contexto desponta a diversificação das atividades agropecuárias e, principalmente, o beneficiamento do produto dentro da propriedade.
Café adensado continuará recebendo apoio do governo do EstadoAgroindústriaFaucz vê com entusiasmo as perspectivas para 1999. ‘‘Acredito que teremos avanços importantes na agroindustrialização’’, diz. Ele aponta o programa Paraná 12 Meses, do governo do Estado, como uma alavanca para esse processo. A meta é mudar o perfil do Paraná, que é atualmente o maior exportador de produtos primários. ‘‘Precisamos agregar valor aos nossos produtos, trazendo mais riquezas para o Estado e incrementando a renda do produtor rural’’, argumenta.
A Emater vai buscar também investir na organização dos produtores. O presidente da Empresa defende a formação de associações ou a atuação junto a cooperativas. ‘‘Trabalhar sozinho acaba tornando difícil a agroindustrialização e a comercialização do produto’’, diz. Além disso, existe a necessidade da profissionalização do produtor. ‘‘Queremos desenvolver esse trabalho através de parceria com o Senar e o Sebrae’’.
Outro destaque é a transferência de tecnologia - ‘‘Esse é um dos pontos mais importantes na busca de qualidade’’. Segundo Faucz, a Emater pretende estabelecer e reforçar parcerias com o governo do Estado e com a iniciativa privada, para que as tecnologias geradas pela pesquisa cheguem o mais rápido possível ao produtor. ‘‘Todas essas ações serão responsáveis por dar condições ao agricultor de permanecer no campo, produzindo mais, tendo maior retorno econômico e, consequentemente, melhor qualidade de vida.’’
CompetitividadeO pesquisador do Iapar e gerente executivo da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro), José Gomes, acredita que, entre os desafios a serem enfrentados pelos produtores em 1999, o principal será alcançar condições de competitividade. A qualidade do produto agrícola e a sanidade animal serão fatores decisivos para que o agricultor possa competir nos mercados interno e externo.
Para alcançar esse objetivo há necessidade da interação entre os setores público e privado. ‘‘E envolve principalmente novas tecnologias, pesquisa, extensão rural e treinamento dos produtores’’, diz. Para José Gomes, acentuar a aproximação da pesquisa com o produtor é fundamental. ‘‘Para terem chances no mercado globalizado, os produtores terão que estar tecnificados.’’

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