A questão que mais preocupa hoje o produtor é: como melhorar a renda de sua propriedade, ou seja, como ganhar dinheiro com a agricultura. Pergunta difícil de ser respondida, de acordo com a maioria dos técnicos consultados, devido à complexidade da atividade agrícola.
O produtor precisa ser um bom empreendedor, ter uma visão técnica, entender de administração, contabilidade, mercados, comercialização, além de questões jurídicas e ambientais. E se o clima não atrapalhar, ele pode ter uma boa renda, principalmente se o concorrente, às vezes lá do outro continente, tiver problemas com sua safra. Neste contexto, o agrônomo Sérgio Carneiro, do escritório regional da Ematerd em Londrina, comenta que o desafio de produzir alimentos é grande. E quando numa mesma propriedade, há diversidade de atividades, a situação fica ainda mais difícil de gerenciar. No meio disso tudo apenas uma certeza: quem é ineficiente está fora do mercado.
Gestão ruralNa busca de soluções, o gerenciamento das propriedades rurais é hoje um dos temas mais discutidos entre técnicos e produtores. ‘‘O produtor precisa entender a necessidade de ser eficiente para continuar na atividade’’, destaca Carneiro.
Segundo o técnico, uma agricultura bem administrada remunera bem. No trabalho de Redes de Referência, que está sendo desenvolvido pela Emater há dois anos, em dez regiões do Estado, a extensão está buscando ajudar o produtor a conhecer melhor suas atividades para poder tomar suas decisões mais acertadas. ‘‘Através dos dados levantados o produtor pode comparar números e ver onde acertou e onde errou, e vemos que tem produtores que estão indo muito bem e outros muito mal’’.
Neste trabalho são analisadas propriedades representativas de uma realidade regional. Por exemplo, no Norte do Estado, está sendo pesquisado o sistema de grãos (soja, milho, trigo, café, alguma coisa de frango e piscicultura), consideradas atividades principais na região. ‘‘Trabalhamos basicamente com agricultura familiar, dentro de um estágio de modernização que já utiliza diversas tecnologias’’.
ResultadosO trabalho de Redes de Referências continuará a ser realizado durante mais uns três anos, para só depois apresentar dados mais conclusivos sobre a realidade rural. ‘‘Nos dois anos em que foi desenvolvido tivemos duas situações atípicas. O primeiro ano foi ótimo em termos de clima, e no segundo o produtor está sofrendo com a geada. Precisamos acompanhar mais safras, para comparar’’, comenta Carneiro.
Mas, alguns números levantados até agora mostram, por exemplo, que de maneira geral os produtores estão gastando muito com herbicidas (Gráfico 1 - 19% do custo total, em média). ‘‘Este número é muito alto e pode ser reduzido em função do manejo, porque encontramos propriedades que chegaram a reduzir a quase zero, sem diminuir a produtividade’’, diz Carneiro.
O técnico comenta a importância de cruzar informações como receita e despesa. ‘‘Nem sempre o produtor que alcança a produtividade mais alta é aquele que terá a melhor rentabilidade, porque é preciso saber quanto ele gastou para atingir aquele produção’’, explica. Conforme o gráfico 2 constata-se que o produtor que teve a mais alta produtividade, não foi aquele que teve a melhor remuneração.
CaféEm algumas culturas como o café, as exigências no gerenciamento são ainda maiores. Segundo o agronômo do Departamento Nacional do Café, Francisco Barboza poucos cafeicultores se preocupam, por exemplo, com treinamento da mão-de-obra e este detalhe pode fazer a diferença. ‘‘Nós observamos que alguns trabalhadores, em alguns casos, não têm habilidade, por exemplo, para fazer uma boa poda no café e prejudica a planta. O produtor tem que conhecer o trabalho, ensinar e identificar as diferentes capacidades para colocar cada um no trabalho certo’’.
A recomendação de treinamento de mão-de-obra serve também para outras práticas como pulverização, adubação, colheita. Enfim, hoje, as margens são tão pequenas na atividade agrícola que o produtor precisa ficar atento. ‘‘No caso do café, o horizonte a médio prazo aponta para preços menores a partir de 2002, e o produtor que não estiver preparado, pode sofrer’’, alerta.
Outros fatores que determinam o resultado final são apontados por Barboza: uso inadequado de insumos, a compra de equipamentos mal dimensionados para a propriedade ou atividade e a falta de capital de giro. ‘‘É comum o produtor investir na compra de outros bens, imobilizando o pouco capital que sobra depois da safra. Depois, quando precisar, vai ter que recorrer aos bancos, ou fazer compras a prazo, pagando juros. É uma cultura inflacionária, que leva a pensar que não se pode ficar com o dinheiro parado no banco’’, comenta Barboza..
RendaMas para o agrônomo do Sindicato Rural de Londrina, Jefferson Ricci, o problema de rentabilidade das propriedades não depende só do produtor. ‘‘Muitas vezes o produtor faz tudo direito e na hora de vender seu produto, o preço está abaixo do custo de produção’’, diz Ricci.
Segundo Ricci, os produtores têm procurado informações e formar grupos para discutir problemas e soluções para suas atividades. Mas os preços dos insumos, políticas agrícolas e outros fatores são externos e não dependem dos agricultores, na opinião do agrônomo do sindicato.

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