O cooperativismo do terceiro milênio deve enfrentar grandes desafios e o principal deles, na opinião do presidente da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar), Luiz Lourenço, é buscar a profissionalização. O novo milênio, segundo Lourenço é o da globalização e da economia cada vez mais concentrada nas maõs de multinacionais. Apesar disso, ele acredita que o cooperativismo tem espaço para atuar principalmente junto aos pequenos produtores.
‘‘No setor de distribuição de alimentos, há um estudo que revela que em poucos anos teremos quatro grandes distribuidoras a nível mundial. O setor de insumos também caminha para a mesma direção. São fatores de produção e distribuição que vão atingir as cooperativas, mas elas ainda terão muito espaço porque de qualquer forma vão ficar as cooperativas e as multinacionais’’, disse.
Elo de ligação Conforme Lourenço, as cooperativas serão o elo de ligação entre os pequenos produtores e as multinacionais. Elas vão atuar com o objetivo maior de amenizar o impacto para o pequeno produtor. ‘‘Uma cooperativa bem profissionalizada e organizada terá condição de persistir e avançar no próximo milênio’’, prevê. Segundo ele, outra alteração provável será a fusão de cooperativas por atividades. ‘‘As cooperativas que produzem o mesmo tipo de produto industrial, como o álcool por exemplo, deverão se juntar para enfrentar as grandes empresas’’, justifica.
Entre todos os fatores que deverão contribuir para a manutenção das cooperativas, Lourenço acredita que a agroindústria é determinante. ‘‘As cooperativas que não têm agroindústria hoje, enfrentam muito mais dificuldades do que aquelas que investiram e acreditaram na agroindústria’’, revela. A renda atualmente, conforme o presidente da Cocamar, depende da parte agroindustrial e não mais simplesmente do recebimento e venda de grãos.
industrializaçãoA Cocamar é um exemplo de como a agroindústria pode contribuir para o cooperativismo. Mergulhada em uma crise financeira que teve início em 1986 e atingiu o ápice em 1995, a cooperativa conseguiu dar a volta por cima e já prevê um faturamente 20% maior do que em 1999. Além do processo de enxugamento em praticamente todos os setores, a Cocamar driblou a crise graças ao patrimônio industrial que possui não só em Maringá como em várias cidades do noroeste do Estado. ‘‘Nosso faturamento está crescendo significativamente em cima basicamente dos produtos disponíveis no mercado. Teremos 25% do faturamento este ano baseado justamente em cima dos produtos de consumo’’, garante. Além do óleo, a Cocamar comercializa café, catchup e maionese.
O caminho da profissionalização perseguido pela Cocamar desde 1995, é, na opinião de Lourenço, o grande diferencial entre as cooperativas que pretendem manter suas atividades no próximo milênio. ‘‘Hoje somos uma cooperativa enxuta e objetiva que está totalmente voltada para atender os anseios dos produtores e as exigências do mercado’’, diz.
O futuro das cooperativas, conforme Lourenço, depende basicamente do comprometimento de cada produtor nos projetos que venham a ser lançados pela empresa. ‘‘Nenhuma cooperativa deve investir em projetos que não contam com o comprometimento total dos produtores. Hoje a Cocamar sabe disso depois das experiências com a indústria de suco de laranja em Paranavaí e com a indústria textil no setor de seda que, apesar de atender os interesses de grande número de produtores, não teve, na época certa, o apoio da maioria’’, avalia.

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