Derivados de milho no combate à desnutrição
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sexta-feira, 06 de outubro de 2006
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Alguns ingredientes precisam ser mais valorizados na cozinha brasileira, quando a receita é o combate à desnutrição, que mundialmente atinge níveis alarmantes: os derivados de milho.
Na última década, o País reduziu o número de crianças abaixo do peso ideal para a idade, o que não significa que o problema esteja sob controle.
Sugestões de cardápios simples, como a polenta da mamma, podem ter superpoderes, ajudando a infância a se livrar de uma das principais ameaças da pobreza e da desigualdade social: a carência nutricional.
Apesar dos estados do Nordeste e Norte estarem mais vulneráveis à desnutrição e o número de crianças desnutridas ser quase quatro vezes maior que no Sul, a proporção de vítimas da fome funcional infantil nas áreas rurais brasileiras é o dobro da população de áreas urbanas. Isso de acordo com o relatório ''Situação da Infância Brasileira 2006'', publicado recentemente pela Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância.
São dramas que as estatísticas não conseguem narrar com precisão maior do que a emoção dos pais das crianças de uma creche do distrito rural de Paiquerê (30 quilômetros de Londrina). Lá, os derivados do milho entram pela porta da cozinha, com a pompa e circustância dos alimentos principais do cardápio dos 48 alunos do Centro Educacional Infantil Maria Elizia Pereira de Souza.
Não é concidência a creche colocar à mesa alimentos derivados do cereal, contrariando a média nacional de consumo per capita de milho de 19 quilos por habitante/ano - muito abaixo de países como o México, onde a população consome per capita cerca de 63 quilos anuais.
Há 12 anos, no distrito, é realizada a Festa do Milho, atraindo um público de 35 mil pessoas ao vilarejo de cerca de 2.500 habitantes.
Uma tradição de privilegiar o milho no cardápio e que se mantém durante os outros dias do ano no povoado, mudando a vida de crianças, como os gêmeos Nathan e Ryan Pereira, quatro anos, alunos da creche.
Os meninos são filhos da trabalhadora volante desempregada, Maria Luiza Pereira, 19 anos, que nasceram prematuramente aos sete meses de gestação, com pouco mais de 1,6 quilo cada um.
''Meus filhos nasceram com problemas respiratórios e tiveram que ficar internados. Desde abril do ano passado frequentam a creche. Achei que estão se desenvolvendo e crescendo bastante'', comemora Maria Luiza. Ela reconhece que o cardápio da instituição, mantida pela Associação de Moradores e a Prefeitura, está contribuindo para que se recuperem da deficiência de peso por serem prematuros.
A trabalhadora volante lembra que, em casa, os filhos dificilmente comem alimentos à base de milho e que começaram a pedir pelo produto, depois que experimentaram na creche o bolo de fubá, a polenta com molho de carne moída e até um salgadinho, semelhante aos industrializados e que expõe nas prateleiras a idéia de que é impossível comer um só.
''Em casa a gente dá para as crianças muita bolacha e outras comidas que não são tão nutritivas. Aqui na escola os meus filhos trocam essas coisas por uma alimentação mais saudável'', comenta Maria Luiza.


