Deral projeta área recorde para milho 2ª safra no Paraná
Resultado é consequência da baixa atratividade no plantio de trigo
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de junho de 2026
Resultado é consequência da baixa atratividade no plantio de trigo
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Levantamento realizado pelo Deral (Departamento de Economia Rural) aponta que a área plantada de milho nesta 2ª safra alcançou um recorde histórico para a cultura no Paraná.
O órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento) estima em 2,9 milhões de hectares a área destinada à cultura na safra 2025/26, o que representa um aumento superior a 3% na comparação com o ciclo anterior.
Edmar Gervasio, analista do Deral, explica que o aumento tem forte relação com a baixa atratividade no plantio do trigo. “Essa cultura tem condição de mercado não muito boa, então o produtor acaba optando pelo milho.”
Foi o que fez o produtor Paulo Vinícius Demeneck Vieira, com propriedade em Juranda, no Noroeste. “O milho safrinha veio substituir o trigo como cultura de inverno, pois o trigo é muito arriscado e, na maioria das vezes, dava prejuízo. Aí troquei pelo milho para ter mais receita durante o ano e diluir custos fixos da propriedade”, afirma.
O agricultor disse que não conseguiu ampliar a produção neste ano. “Em novembro passado tivemos chuva de granizo e ela devastou uns 3 mil hectares na região. A soja atrasou e ficou arriscado plantar milho safrinha em toda a área”, relembra.
Vieira cobriu a área arrasada pelo granizo com braquiária, com o intuito de melhorar a condição do solo para as próximas safras.
A expectativa deste ano é colher cerca de 30 mil sacas de milho – no ano passado foram colhidas cerca de 54 mil sacas. Praticamente toda a produção é comercializada para a cooperativa Coamo. “Para a gente não vai ser recorde, mas será suficiente para pagar as contas e ter algum lucro. O mercado está bem interessante, com uma lucratividade entre 30% e 40%.”
Vieira aponta ainda que o aumento do volume de usinas de etanol de milho deve representar um futuro promissor. “Algumas usinas que vão ficar prontas em 2027 já estão comprando milho para começar a rodar. Com isso, poderemos depender menos do mercado externo. O milho era muito dependente do mercado interno para alimentação animal e também do excedente, para exportação”, analisa.
O agricultor acrescenta que a cultura do milho responde muito ao capricho no manejo. “Tem que ser plantado devagar, na profundidade certa, com distribuição de sementes correta, aplicação de fertilizante correta e seguindo recomendações técnicas. É uma cultura muito responsiva. A gente faz a nossa parte, mas também depende do clima”, aponta.
ESTIMATIVA
A expectativa de produção de milho segunda safra foi estimada em 17,5 milhões de toneladas no estado, volume levemente inferior, proporcionalmente, às projeções divulgadas no mês de abril.
Segundo o técnico do Deral, essa redução decorre, principalmente, das geadas registradas recentemente, que trouxeram impactos pontuais para a safra.
“A maior produção foi obtida no ciclo anterior, em que foram colhidas pouco mais de 16,9 milhões de toneladas. Apesar dos números atuais indicarem um possível novo recorde, ainda é muito cedo para afirmar, pois a maior parte das lavouras ainda está em desenvolvimento e o clima pode impactar severamente ou até surpreender positivamente. E as próximas revisões podem mudar tanto para mais como para menos, dependendo do clima”, pondera.
A segunda safra de milho no Paraná tem o seu período de plantio entre janeiro e março. A colheita, por sua vez, ocorre de maio a setembro. Segundo o técnico, a maior parte do milho produzido é destinada para o consumo interno no Paraná, seja para granjas de suínos ou de aves.
A segunda safra de milho é a mais volumosa no estado. “Em condições normais, atualmente a segunda safra representa em torno de 80% do volume produzido de milho”, destaca o analista do Deral.
ESTATÍSTICAS
Relatório do Deral mostra que Cascavel (Oeste) foi o município que mais produziu milho 2ª safra, com um VBP (Valor Bruto de Produção) de quase R$ 475,3 milhões em 2024.
A cultura foi cultivada em 68 mil hectares, com um volume de produção de 519,4 mil toneladas.
Cascavel foi responsável por quase 4% do VBP estadual da cultura para a segunda safra. Em todo o Paraná, o VBP do milho 2ª safra alcançou R$ 11,9 bilhões, o que representa uma participação de 6,3% no VBP estadual, que chegou a R$ 188,3 bilhões.


