A segunda safra de feijão no Paraná está projetada para ser 38% menor em volume em comparação à mesma safra passada. A projeção foi feita pelo Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).

O motivo da retração é a severidade do clima, uma combinação de longa estiagem com geadas que atingiram especialmente a região Centro-Sul do Estado, que compreende as regiões de Francisco Beltrão, Pato Branco e Guarapuava.

Com o ciclo de desenvolvimento comprometido, atualmente o índice de lavouras em boas condições está apenas em 37%; outras 39% são classificadas como regulares (médias) e 24% das áreas plantadas com feijão segunda safra no estado são consideradas ruins.

A estimativa atualizada pelo Deral projeta um volume total de 332,1 mil toneladas do grão nesta segunda safra. Para se ter uma ideia da quebra, na mesma safra passada o volume alcançou 539,5 mil toneladas de feijão em todo o estado.

A área plantada da 2ª safra de feijão no estado, por sua vez, foi reduzida em 37%, caindo de 348,5 mil hectares na safra passada para 218,9 mil hectares na atual.

“Além do clima, o maior desafio para os produtores hoje são os custos de produção. A alta nos insumos e o crédito caro espremeram as margens financeiras, tornando a cultura arriscada quando os preços de venda ao produtor caem”, destaca Marcelo Garrido Moreira, diretor do Deral.

QUEBRA

O engenheiro agrônomo e produtor rural Tiago Galina contabiliza que a geada atingiu 40% da área reservada para a 2ª safra de feijão, com quebra de 65% da produção. A propriedade do agricultor fica em Clevelândia, região de Pato Branco, uma das mais atingidas pelas intempéries no estado.

Nesta safra o produtor plantou 150 hectares de feijão. A opção pela cultura é uma alternativa de cultivo, visto que a região tem clima favorável à produção de feijão preto.

“Com cultivares de ciclo precoce podemos fazer duas safras, mesmo sendo uma região fria com altitudes de 800 a 1.000 metros”, pontua.

A expectativa neste ano é colher 240 toneladas de feijão. “Os preços estão melhores que 2025 devido à área plantada ser 30% menor. Além disso, as perdas por geada provocaram uma diminuição na oferta”, explica.

Em virtude da maior escassez do grão no mercado, a saca do feijão naturalmente ficou mais valorizada. Segundo o agricultor, no ano passado o valor da saca de 60 kg do feijão preto estava em R$ 150. Neste ano, o valor subiu para até R$ 230.

Entre as práticas para obter o máximo de desempenho na produção de feijão, o produtor destaca que o principal é o manejo de solo com rotação de culturas, de forma que haja equilíbrio químico e preservação biológica nas áreas de plantio.

“A questão da lucratividade depende muito do clima e do mercado. Este ano vamos ter margens negativas. Ano passado deixamos estocado o feijão, vendendo somente em setembro a R$ 180 a saca, o que nos deu uma margem de 30%.”

Segundo o diretor do Deral, os trabalhos de colheita alcançaram a metade da área total plantada. Historicamente a colheita se encerra entre o final de junho e o início de julho no Paraná.

“Nos últimos anos, a segunda safra representou, em média, mais de dois terços de toda a produção de feijão do Paraná”, conclui Garrido.

NO TOPO

Relatório do Deral mostra que Clevelândia, município do sudoeste paranaense, é o maior produtor de feijão 2ª safra do Paraná. Em 2024, o VBP (Valor Bruto de Produção) da cultura alcançou quase R$ 103 milhões, advindo de uma produção de 31,5 mil toneladas em 15 mil hectares do município.

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