Chegada a época da colheita da soja, surge a dúvida entre os produtores: é melhor vender o produto durante a safra ou vale a pena assumir o custo da armazenagem e comercializar mais tarde? Quem responde a essa pergunta é o pesquisador Antônio Carlos Roessing, da Embrapa Soja em Londrina.
Ele explica que tradicionalmente, desde a década de 60, o preço pago ao produtor começa a cair em janeiro e atinge o patamar mais baixo nos meses de março e abril. Depois volta a subir, atingindo os melhores valores em setembro e outubro. Durante a semana, a saca estava cotada a R$ 20, em média, no Paraná. Há alguns meses atrás, a cotação chegou a R$ 27.
Vendas escalonadas
Para tentar aproveitar os preços mais atraentes o conselho é fazer vendas escalonadas. ‘‘Se o produtor tem dívidas, deve vender uma parte da colheita durante a safra para saldar os compromissos’’, avalia.
Caso haja condições de esperar, a dica é analisar se os gastos com armazenagem compensam uma possível alta nos preços. De acordo com Roessing, o custo de armazenamento não chega a 2% ao mês sobre o valor da soja guardada. ‘‘O preço costuma valorizar em mais de 10% após julho, por isso tem sido vantagem esperar’’, disse.
Preços internacionais Dependendo do comportamento dos preços internancionais, porém, o valor pago pela saca também pode cair em setembro, quando se aproxima a colheita norte-americana. O especialista esclarece que se as condições climáticas dos Estados Unidos forem boas em julho e agosto, o Departamento de Agricultura Americano (USDA) pode aumentar a previsão da safra, causando queda nos preços em setembro. ‘‘Esse não é o comportamento normal, mas pode acontecer. Nessas condições, o produtor que armazenou pode empatar os lucros ou até perder’’, comenta.
Planejamento
Para evitar surpresas Roessing recomenda que os produtores planejem a safra com base nos preços futuros do mercado internacional. Com relação à conjuntura atual, Antônio Carlos considera que a demanda mundial de soja não indica aumentos significativos de preços até 2003. ‘‘As grandes economias mundiais ainda estão se recuperando da crise, por isso, não há expectativa de aumento de consumo e consequentemente, de preço’’, acredita.
Perdas na colheita Alguns cuidados básicos podem ajudar o produtor a diminuir os prejuízos com perdas na colheita, aumentando a rentabilidade da safra. As principais causas de perdas são má regulagem da colhedeira, velocidade inadequada, facas quebradas, tortas, trincadas ou dedos tortos na barra de corte, folgas excessivas e a topografia do terreno, que não deve ser muito inclinada. O treinamento do operador também é fundamental.
Existem métodos para controlar a soja que está ficando para trás. Faça um armação de madeira de 1 metro por 1 metro (interno) e coloque após a passagem da máquina. Conte quantas sementes está deixando no solo. A quantidade que fica dará uma idéia da perda.
Se durante a colheita perde-se 250 grãos de soja por metro quadrado, significa que houve prejuízo de 400 kg de soja ou quase 6,75 sacas por hectare. A perda de 30 grãos por metro quadrado é considerado um número excelente.

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