Só quem vive da labuta diária do campo pode explicar a sensação de adquirir o primeiro trator para tocar uma propriedade rural. A família do jovem Vinícius França Teixeira, de 22 anos, aprecia cada instante desta conquista. O avô dele, José Teixeira da Silva, possui uma propriedade de três alqueires no distrito de Lerroville, Zona Sul de Londrina, onde lida com café, e sofria muito por não possuir o equipamento.
O pai de Teixeira também trabalha na lavoura, arrendou três alqueires de terra também no distrito e lida com outros produtos como batata doce, milho e feijão. O agricultor explica que todos estavam cansados de depender de terceiros. "Estávamos sempre alugando o trator, dependendo da vontade dos outros para poder trabalhar e isso nos atrapalhava bastante. Além disso, o preço do serviço variava de R$ 100 a R$ 120 por hora. Um transtorno que estava bem complicado para nós", salienta.
No ano passado, eles entraram em contato com o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) para conseguir adquirir o equipamento via o programa Trator Solidário. Em janeiro deste ano, o financiamento saiu e eles adquiriram um trator TL-75, de 75 da cavalos, da New Holland, no valor de R$ 71 mil. As parcelas ficaram, em média, em R$ 7,6 mil anuais. "Foi uma mudança para nós. Primeiramente porque não dependemos mais dos outros. Fica complicado expandir, arrendar terras, se não há um trator para que o trabalho renda. Em algumas ocasiões, se não houvesse o trator nós haveríamos perdido produtos que plantamos."
O produtor Mauro Vieira e Silva, 45, trabalha com uma área de quatro alqueires de café no sítio do pai, também em Lerroville. Ele comenta que adquiriu seu primeiro trator há dois anos, o que atraiu a atenção do filho Matheus para a lavoura. "Hoje ele está com 14 anos e é bem interessado. O trator acabou sendo um incentivo e ele foi pegando gosto. Incentivo ele a estudar, tirar notas, para depois me ajudar no trabalho."
O engenheiro agrônomo do Emater Romeu Gair, que trabalha com produtores de café na região de Londrina, comenta que antes de comprar o primeiro trator, o pequeno produtor deve realizar uma análise da viabilidade econômica da propriedade. "Aqueles um pouco mais estruturados, muitas vezes que estão buscando ampliar os horizontes através de um arrendamento, por exemplo, são os que geralmente têm maior potencial para adquirir um trator."
Gair salienta ainda que a mecanização de forma geral, inclusive com o uso de tratores e outros implementos, como plantadeira, pulverizador e trincha, faz com que muitos jovens resolvam permanecer na propriedade da família. "A mecanização é uma das justificativas para que os jovens resistam no campo. Além disso, a mão de obra externa hoje é zero, não existe, a não ser que o produtor tenha alternativas ligadas à mecanização", complementa o técnico do Emater. (V.L.)

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