Seguindo o exemplo dos companheiros do projeto da microbacia, o agricultor Sérgio Leomar Marangoni, da comunidade Barras, em Campo Mourão, abandonou uma área alagada (que antes era cultivada com soja) para a formação de parte da reserva legal do sítio São Francisco, já averbada em cartório.
Diferente de muitos produtores que acreditam estar perdendo terras para a preservação ambiental, Marangoni encara a conservação da mata ciliar como uma vitória. ''Hoje a mentalidade é outra, é preservacionista. Só cuidando da natureza é que trazemos benefícios para os rios e, consequentemente, para a lavoura'', defende. Dos 40 alqueires do sítio, oito são destinados à reserva legal.
Os primeiros resultados positivos das ações conservacionistas foram percebidos na última safra de verão, quando o agricultor colheu 138 sacas de soja por alqueire, ''um recorde para a propriedade'', diz.
Marangoni recorda que um dia já foi tão relutante quanto a maioria dos produtores rurais. ''Lembro que quando os técnicos começaram a divulgar as tecnologias de curva de nível e plantio direto, todo mundo era contra. Hoje, sem essas tecnologias a agricultura fica inviável'', declara o agricultor, que realiza análises de solo anualmente e investe sempre em uma adubação adequada da terra antes do plantio.
Quando resolveu converter a propriedade em orgânica, o vizinho de Marangoni, Eduardo Buaski pensava apenas em conseguir um preço diferenciado com a venda da produção. Ele espera receber em breve a certificação da propriedade, mas já comemora os bons resultados obtidos com a preservação ambiental. ''Eu sempre usei menos agrotóxicos que os outros agricultores'', recorda.
No sítio de cinco alqueires, o pequeno produtor planta soja, hortaliças e buchas sem uso de agrotóxicos, numa área de três alqueires. ''O restante do sítio é destinado à reserva legal, localizada à beira do rio, que, inclusive, já está averbada'', diz. (M.G.)

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