A região de Francisco Beltrão é uma das principais produtoras de caprinos do Estado. A demanda regional é de até três carcaças por semana e, segundo a zootecnista Jaciane Beal, responsável técnica pelo Núcleo Capripar Sudoeste, os criadores têm tido dificuldade em atender os pedidos. ''Tem supermercado exigindo até 15 cabeças por semana'', diz.
Envolvendo 42 municípios e 38 produtores, o núcleo está contando com os recursos do programa estadual para incrementar a produção. ''Esperamos reunir 50 produtores até o final do ano para podermos formar uma cooperativa'', declara Jaciane.
Segundo ela, a carne produzida na região é diferenciada, o que compromete a regularidade na oferta. ''O meio-sangue Boer (uma das raças para corte) é abatido com no máximo seis meses de idade e um peso vivo de 28 a 32 quilos, que resultará numa carcaça com 14 a 16 quilos'', assinala a zootecnista.
Ela calcula que seriam necessárias 6 mil fêmeas para estabilizar a produção no Sudoeste, que hoje conta com propriedades médias que alocam de 80 a 100 matrizes. ''Com 600 fêmas parindo o ano inteiro, os criadores conseguiriam abater até duas cabeças por semana'', assinala.
Um estudo realizado pelo Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae) em 2003 apontou um consumo per capita de 150 gramas de carne caprina por ano. De acordo com Jaciane, mesmo sem propaganda, o consumo anual cresceu para 850 gramas/per capita. Em Curitiba, ressalta a zootecnista, a demanda dos restaurantes é de 150 paletas por semana. ''O mercado cresceu tanto que cerca de 80% dos pedidos não são atendidos por falta de produto'', diz. Hoje, o produtor recebe até R$ 12 pelo quilo da carne caprina. Nos supermercados, o quilo é vendido a R$ 13,80 podendo chegar a até R$ 15,80. (M.G.)

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