Demanda interna torna o mercado promissor
O fruto da seringueira tem dois destinos. Um é a indústria pesada da borracha, dos fabricantes de pneus, que representa 70% desse mercado. A outra é a do látex, que usa o material para a confecção de produtos mais leves, que vão desde luvas cirúgicas e preservativos até bicos de mamadeiras e afins. As indústrias estão mais concentradas no estado de São Paulo.
O produtor Nício Otani explica que a borracha pura, o produto verde como é conhecida aquela destinada para a indústria pesada , é retirada direto dos vasos (recipientes colocados na árvore, no local onde foi feita a sangria). É só deixar o produto lá secando, que se tem a borracha, reforça Otoni.
Já o látex é retirado desses vasos, colocado em um tambor e misturado com amônia para que o produto não endureça e mantenha-se em estado líquido: quatro litros do produto para cada 100 quilos de látex. Os dois produtos têm sido revendidos em média por R$ 1,20, o quilo.
Otani observa que o interessante da produção de seringueiras é o fato do mercado ser muito promissor. Atualmente, segundo ele, cerca de 70% da matéria-prima usada no País já é importada. Ele pontua, de acordo com informações técnicas, que em poucos anos haverá um déficit e a demanda será maior que o volume produzido. Então é uma boa opção de investimento, destaca ele, lembrando que recentemente a planta também foi autorizada pelos órgãos compententes para ser cultivada como reserva legal. Cada 2,5 hectares pode chegar a uma renda líquida de R$ 1 mil por mês.
De olho nesse mercado, o comerciante Iremar Pereira Dionízio, também de Alto Paraná, decidiu comprar uma propriedade na área rural especialmente para cultivar seringueiras. No local, com cerca de 15 mil hectares, foram plantadas 8 mil árvores há um ano. Acho que é um negócio rentável, de pouca mão de obra, fica mais barato do que outra cultura, pontua ele, que foi visitar outras produções antes de se decidir pelo negócio. Ao todo foram investidos R$ 210 mil. Mesmo sabendo que ainda levará alguns para colher os frutos do negócio, Dionízio está confiante. Foi mesmo para investimento futuro, acrescentou. (E.Z.)





