Delícias que só a terra dá
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sexta-feira, 11 de agosto de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Entre um pastel e um caldo de cana, os maringaenses compram verduras, legumes e frutas orgânicas na Feira do Produtor, a preços bem mais acessíveis do que os praticados por supermercados e sacolões. Isso porque a venda direta permite aos horticultores da cidade escoarem toda a produção semanal na feira, garantindo assim preços equivalentes aos dos produtos convencionais.
Dos 140 agricultores que participam da Feira do Produtor às quartas e aos sábados, em frente ao ginásio de esportes Willie Davis, em Maringá, apenas oito produzem alimentos orgânicos. No entanto, são sempre os primeiros a guardar as barracas, pois a qualidade das mercadorias assegura a comercialização. Tudo o que eles levam para a feira é vendido.
Para o presidente da Associação dos Produtores Orgânicos de Maringá (Pomar), Oscar Massatoshi Tookuni, o fato de os produtores serem velhos conhecidos da feira facilitou a formação da associação, há dois anos. Além disso, o apoio da assistência técnica, representada pelo engenheiro agrônomo Jorge Ogassawara, da Emater local, também é fundamental na manutenção do Projeto Parceiros Orgânicos.
Há mais de duas décadas prestando assistência na feira dos produtores de Maringá, Ogassawara acredita que a etapa mais difícil do projeto já foi superada: fazer os produtores acreditarem na idéia e uní-los em grupo para baratear o custo da certificação das propriedades. ''Somos seres individualistas, mas precisamos entender que sozinhos não somos ninguém'', defende.
Com o grupo finalmente formado, as informações técnicas foram repassadas gradativamente, conforme as dificuldades apareciam, conta o agrônomo. A conversão das propriedades foi gradual e a maioria dos agricultores não teve problema em assimilar o novo sistema de cultivo. ''A chave estava em corrigir o solo com adubação orgânica. Alguns optaram pela compostagem, outros pela adubação verde e um produtor pratica a agricultura natural, que não utiliza resíduos animais'', comenta Ogassawara.
Com o compromisso de participar de um curso da Emater sobre agricultura orgânica por um ano, os primeiros 16 produtores da Pomar obtiveram o selo orgânico no ano passado e o restante, outros 16, passaram pela primeira inspeção da certificadora no início deste ano e deverão receber o selo no ano que vem.


