Deixe sua propriedade mais linda
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Manter um jardim é privilégio de quem ainda cultiva o hábito de morar em casas. Conviver em meio às flores, árvores sombreiras, plantas rasteiras e um gramado traz vantagens como uma paisagem agradável e um ambiente mais arejado. No campo há outra vantagem: as árovres podem ser frutíferas e mais encorpadas. É a proximidade com a natureza, que traz mais qualidade de vida, uma vantagem da qual poucos ainda desfrutam.
Por isso, aprender o ofício de jardineiro é útil. Ele não serve apenas para manter o quintal bem arrumado, mas é também uma oportunidade para os trabalhadores do campo se capacitarem e exercer atividade que demanda mão-de-obra.
Falta jardineiro em Apucarana. Para você ter uma base, demora até três dias para conseguir agendar uma data. Sem contar que ele cobra 100 reais, preço caro se comparado com uma diária normal que é de R$ 30,00, comparou Rosângela Cristina Nishigima, uma das participantes.
Sediado na propriedade da Família Hosp, na Estrada do Xaxim próximo à entrada de Apucarana, Rosângela estava entre os 13 moradores do campo que cursavam o módulo de jardinagem. A atividade faz parte do cronograma de cursos do Serviço Nacional Aprendizagem Rural (Senar). Já que eu não posso pagar para alguém embelezar o meu quintal, eu mesmo faço, avaliou.
O público predominante é feminino. Arthur Bergamini, coordenador regional do Senar, acredita que o motivo é o jeito da cultura rural, cuja tradição ainda preza por aquele modelo da mulher em casa cuidando dos filhos. Os homens por sua vez se dedicam aos trabalhos na lavoura. Elas gostam de embelezar a casa e o jardim. É por isso o interesse, intercedeu Rosângela bem humorada.
O cronograma do Senar é pautado pela demanda que vêm do campo, do produtor e do trabalhador menor. Por essa razão, para alguns participantes o módulo de jardinagem foi consequência de um outro curso de formação de Empreendedores Rurais. Esse é o caso de Elaine Cristina da Silva, que sempre viveu no campo e nutre um sonho de sobreviver do seu próprio trabalho na área rural. Mas eu não tinha uma visão ampla lá de fora, definiu.
Na primeira oportunidade aprendeu noções sobre contabilidade. Calcular lucros e prejuízos e colocar preço nos produtos foram as lições com as quais Elaine teve um primeiro contato. Por isso, esse segundo módulo serve como complemento, porque traz noções técnicas sobre plantação, poda, adubação e estaquia. A primeira idéia é trabalhar em casa, mas se alguém me chamar para fazer algum jardim, que mal tem?, indagou antes de lembrar que flor da paz, algarve e onze horas foram as plantas que aprendeu a manejar.
Porém, quem chamou mais a atenção foi o veterano Hygino Bortotto. No auge dos seus 84 anos, encarou com disposição a tarde ensolarada. Ele é um dos mais animados, disparou outra participante enquanto ele atendia a reportagem da FOLHA. Eu não paro, estou sempre fazendo algum servicinho. Se for trabalho, quando me convidam; aceito, brincou.
Sem pretensão de virar jardineiro, diz que enquanto tiver saúde e for possível se locomover não deixará de trabalhar. Só ficar parado não dá, afirmou completando que ajuda a família a cuidar de um sítio de 23 alqueires onde mantêm uma criação de frangos de granja. Se você tem saúde e dá para trabalhar, tem que se mexer. Ficar parado não dá, arremata.


