Degradação acelerada no arenito
A região do arenito Caiuá, considerada a mais importante região pecuária paranaense enfrenta uma acelerada tendência de degradação das pastagens. Na década de 50, os municípios de Umuarama e Paranavaí, pólos mais importantes da região ostentavam uma lotação em suas pastagens ao redor de 3 Unidades Animais por hectare (UAs/ha). Na década de 70 esta ocupação caiu pela metade, e hoje está abaixo deste índice, em média 1,2 UA.
Conforme levantamento do Iapar, a lotação em 80% da região do arenito está abaixo de 1,5 UAUm levantamento minuncioso da região que foi feito pelo pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) José Pedro Garcia Sá, está sendo divulgado com o objetivo de incentivar a recuperação das pastagens e aumentar sua lotação, tornando as propriedades mais produtivas.
Os números mostram (conforme mapa) que 80% dos 2,3 milhões de hectares de pastagens da região, que concentra 36,5% do rebanho bovino do Estado, estimado em 9,6 milhões de cabeças, está com ocupação abaixo de 1,5 UA.
Nesta área da região de Umuarama foi possível avaliar o desenvolvimento da soja no arenito (safra 97/98)ConflitoOs baixos índices de produtividade animal e vegetal têm favorecido o conflito agrário na região, onde as pequenas e médias propriedades perdem a possibilidade de sustentabilidade, resultando em êxodo rural e desvaloriação dos imóveis. Estas propriedades também ficam sujeitas ao enquadramento como improdutivas, sendo ameaçadas pela desapropriação ou invasão, alerta Sá.
Os solos dessa região têm alta suscetibilidade à erosão, e sem práticas conservacionistas, o que se observa é a substituição, em diferentes graus, das espécies forrageiras nobres por invasoras indesejáveis de baixa qualidade, como grama mato-grosso, capim rabo-de-burro, agriãozinho, capim-amargoso, carrapicho-de-bolinha, guanxuma, fedegoso e capim-favorito.
Experimentos com plantio de aveia forrageira em Paranavaí têm bons resultados
IaparO municípios que compõem o arenito Caiuá, num total de 107, estão enquadrados pelo Incra desde 1993 na chamada Zona de Pecuária 1, onde as pastagens para serem consideradas produtivas e, portanto, não sujeitas à desapropriação para fins de reforma agrária, devem suportar uma lotação mínima de 1,2 unidade animal por hectare (UA/ha).
AdequaçãoSegundo Sá,a capacidade de suporte ou lotação das pastagens é uma informação técnica valiosa para medir o grau de eficiência da atividade pecuária, por apresentar uma relação direta com o manejo praticado.
O estudo, concluído recentemente pelo pesquisador, pretende contribuir para adequação dos valores de lotação das pastagens do arenito Cauiá. Em muitos casos as informações disponíveis sobre lotação das pastagens são mais divulgadas na forma de cabeças de bovinos por hectare, independente da idade ou peso vivo de cada categoria animal. Esta maneira de avaliação leva quase sempre a equívocos, analisa Sá.
Já a unidade animal (UA) é um instrumento de avaliação mais eficiente. Considerando que 1 UA equivale a 450 quilos de peso vivo, é possivel medir com maior exatidão o desempenho de animais por área.
O problema da degradação das pastagens naquela região não é novo. Comparando-se o pasto a uma mesa de refeição, Sá comenta que houve um tempo em que naquela mesa se alimentavam 10 pessoas, e agora só resta um prato de comida insuficiente para todos. A mesa continua a mesma, mas falta o alimento sobre ela. Assim é solo, que não época da ocupação da região conseguia alimentar um determinado número de cabeças e hoje tem sua capacidade bastante reduzida.
Apesar do problema já ser conhecido, não se sabia exatamente quanto a degradação tinha atingido a região, e o trabalho do pesquisador do Iapar foi justamente neste sentido, fazer um mapamento da situação com o objetivo de estimular os criadores a tomarem decisões corretas para a recuperação.
Na pesquisa foram considerados 107 municípios com mais de 11% da área de seu território com terras classificadas como Arenito Caiuá, ficando excluídos 12 municípios por apresentaremm baixa participação. Empregou-se o critério do Incra para determinar a capacidade de lotação das pastagens, o qual utiliza para cada categoria ou idade de bovinos os seguintes fatores de conversão: 0,25 para aqueles com menos de um ano; 0,50 com 1 a 2 anos; 0,75 acima de 2 anos e 1,00 para touros e vacas.A região Noroeste ocupa 16% (3,2 milhões de hectares) da área total do Paraná
Cristina Côrtes





