Deficit hídrico atrapalha plantio da soja
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sábado, 22 de novembro de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A previsão da meteorologia de ocorrência de chuva para hoje no Norte do Paraná pode tirar a angústia de muitos produtores que já colocaram a semente de soja na terra. Na última semana Londrina foi contemplada com pancadas de chuva, mesmo assim não levou embora a preocupação dos agricultores com a falta de água. As principais regiões produtoras da oleaginosa no País enfrentam desde o início desta safra 2014/15 problemas de deficit hídrico. As chuvas que geralmente começam a ocorrer nesta época do ano ainda não chegaram com abundância, prejudicando o processo de germinação das sementes e o desenvolvimento de plantas nas regiões que semearam a soja mais cedo, como no Oeste do Paraná.
No Estado, a região Norte é a que mais tem sofrido com a estiagem, já que o plantio da soja é realizado um pouco mais tarde. Valentin Rosolen, produtor na região de Rolândia (Norte), destinou para o plantio da soja nesta safra uma área de 470 hectares. Até o momento, ele semeou 350 hectares, mas parou porque as condições de solo estavam ficando desfavoráveis para a semeadura da oleaginosa. "Faz uns 40 dias que não chove", lamenta o agricultor. Ele afirma que essa estiagem é a mais severa que ele já enfrentou em épocas de plantio.
Rosolen já teme perda na produção. "Adotamos o plantio direto há anos; ajuda bastante, mas até certo ponto", comenta o produtor. Por enquanto, conta ele, só antecipou a comercialização de 20% da produção, índice abaixo do que comercializa normalmente neste período. O motivo dessa redução, conta ele, se deu porque não sabe o quanto deverá colher nesta safra.
Mesmo com essa falta de chuvas em praticamente todas as regiões paranaenses, ainda é muito cedo para falar em uma possível quebra de safra, avalia Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Até o momento, contabiliza Garrido, 84% de uma área de 5 milhões de hectares destinada para a oleaginosa neste ciclo foi plantada, contra 89% se comparado ao mesmo período do ano passado. "Vale lembrar que a área destinada para a soja na safra passada foi menor", comenta o economista.
Garrido observa que tem percebido a ocorrência de chuvas no Estado, mas as precipitações estão muito esparsas e fracas, o que não beneficia a agricultura. O economista observa que o mercado acredita em uma boa safra desde que as chuvas comecem a cair com mais regularidade daqui por diante, podendo até chegar a um recorde. A estimativa, segundo o Deral, é de uma produção de 17,21 milhões de toneladas, 18% a mais no comparativo com a safra 2013/14.
Preços
Questionado sobre o comportamento do mercado em relação aos preços pagos aos produtores perante às más condições do clima, Garrido avalia que os valores seguem estáveis. Dados do Deral apontam que a saca de soja tem sido comercializada entre R$ 59 e R$ 60. "Vínhamos em uma descendência de preços, mas a alta demanda chinesa e a chuva nos Estados Unidos, que atrapalhou a colheita norte-americana, mantiveram os preços estáveis", explica Garrido.
Ele enfatiza que os produtores paranaenses ainda estão capitalizados devido aos recordes de safra dos últimos anos. Por causa disso, o índice de comercialização segue baixo. Até o momento, 7% da safra 2014/15 foi comercializada, contra 20% registrado no mesmo período de 2013.


