O panorama da armazenagem brasileira não é nada favorável, segundo avalia Paulo Resende, professor da área de logística da Fundação Dom Cabral. Ele afirma que o Brasil não oferta armazéns de acordo com a demanda. O especialista observa que o deficit de armazenagem do Brasil chega a 50 milhões de toneladas. Segundo dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), o Brasil produziu, somente na safra 2014/15, 208,8 milhões de toneladas de grãos, maior volume já registrado pela organização.
O professor destaca que um sistema de logística integrado seria uma solução para resolver o problema do deficit de armazenamento no Brasil. Resende completa que um transporte eficiente com a integração de ferrovias com rodovias e estradas, por exemplo, ajudaria a reduzir - e muito - o custo do frete. O professor observa que muitos produtores pagam caro pelo frete porque escoam tudo de uma só vez.
Com o escoamento escalonado, o produtor tem a possibilidade de comercializar sua produção quando o valor do frete estiver mais baixo e o preço pago pelo produto mais alto. Quando há um excesso de produção, os preços do frete também sobem. Para ele, é necessário elevar a capacidade de armazenagem nas propriedades.

Outro lado
Para a gerência da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, a construção de silos nas fazendas é impraticável porque 80% de seus associados são pequenos produtores. Segundo informações da cooperativa, há alguns anos havia recursos públicos para a construção de armazéns, o que não acontece mais. A Cocamar planeja destinar R$ 1,2 bilhão até 2020 para a fabricação de novas unidades operacionais, ampliação de estruturas já existentes e outras melhorias, o que inclui o aumento da capacidade de armazenamento em 30%. Só nesta segunda safra, a cooperativa espera receber 850 mil toneladas de milho e estima para o próximo ciclo de verão recolher mais de 1 milhão de toneladas de soja. (R.M.)

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