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Londrina

Folha Rural 5m de leitura Atualizado em 20/03/2021, 10:28

DEDO DE PROSA| Modernidades e também nada de novo

PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de março de 2021

Dailton Martins
AUTOR autor do artigo

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Ah! Antigamente, como tudo era mais simples!

Imagem ilustrativa da imagem DEDO DE PROSA| Modernidades e também nada de novo
|  Foto: Marco Jacobsen
 

Hoje tudo é mais cheio de conforto. As pessoas na maioria das vezes ,quando ficam doentes tomam um remédio e logo se restabelecem. Antigamente muitas pessoas morriam de doenças que hoje são de tratamento mais fácil. Vivemos mais. Tanto que somos mais de oito bilhões de pessoas nesse mundão de Deus. Comemos, bebemos, vestimos, usamos a natureza a nosso bel prazer. Há pessoas que ainda morrem de fome, é verdade. Por motivos que não vou comentar aqui. Acredito que todos já saibam disso, há muitas notícias no jornal e na televisão e outros meios de comunicação. Mas há também muita prosperidade e abundância.

Antigamente vivíamos com ar mais puro, comida mais saudável e água mais limpa mas vivíamos menos. Não é um paradoxo, uma certa contrariedade saber que hoje comemos mais alimentos industrializados, bebemos mais coisas do que água e vivemos mais ,mesmo sendo sedentários? Essa relação de felicidade de antigamente com saudade de um tempo que era bom e um certo descontentamento com o tempo presente é uma forma de demonstrar, inconscientemente que estamos cada vez mais exigentes com o futuro. E isso traz muita ansiedade às pessoas. Ansiedade que se estende pelas profissões que serão extintas pela tecnologia e outras que serão necessárias criar. O que fazer? Como se aposentar ou como ter saúde para trabalhar num mercado cada vez mais competitivo? O futuro que teremos nunca será suficientemente bom em relação ao passado. Essa retrotopia, essa saudade de um tempo que se foi, é uma maneira de nos resguardarmos com tudo o que possa dar errado no futuro, como se fosse uma forma de retornar pela auto estrada pela qual vivemos no presente. Mas o problema é a velocidade com que a humanidade está nessa descida íngreme e bem pavimentada. Não é mais possível frear a humanidade .Mesmo que se queira. O futuro vem veloz. O presente não está tendo tempo suficiente para se ajustar a um futuro cada vez mais disruptivo, ou seja, que cada vez mais quebra paradigmas, conceitos, enfim, tudo o que conhecemos como é agora.

Talvez o que busquemos nessa retrotopia, termo de Bauman e que talvez não conhecesse a palavra saudade, tão peculiar de nossa língua ,talvez, sim, seja realmente colocar umas cadeiras na calçada e jogar conversa fora com os vizinhos enquanto as crianças brinquem em algazarra no meio de uma rua tranquila.

O mundo como o conhecemos está se transformando em tudo. Pensávamos antigamente que a tecnologia nos permitiria mais tempo para viver. Hoje percebemos que a tecnologia nos exige atenção integral. Basta ver que não tiramos mais os olhos do celular, de quem ficamos dependentes em quase tudo. O celular é quase alguém, uma Inteligência artificial que sabe nossas preferências e necessidades quase mais do que nós mesmos. As máquinas que a engenhosidade humana fabrica desde sempre trouxe

em muitos aspectos mais conforto mas nem sempre trouxe mais felicidade. Talvez o que falte realmente seja sentido para a vida. Uma vida que tinha sentido quando levantava-se de manhã, ia-se para o campo, trabalhava-se cuidando dos animais e das plantações, volta-se cansado com a labuta que iria resultar em futuras colheitas, comia-se o pão de cada dia do suor do rosto e dormia-se para restaurar as energias bem gastas durante o dia.

Antigamente, doce antigamente!

Dailton Martins é comerciante em Londrina

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