Há quem considere que as mães são possessivas. Pior que é verdade, porque tão grande é o amor por um filho, se pudessem, tomariam para si, a dor do filhote adoentado. Fora isso, não há o que falar contra aquela que dá a vida, que traz à luz, que perde noites de sono cuidando, trocando fraldas, amamentando e orando por aquele ser que não fala, mas que sabe que tem um anjo 24 horas a seu favor. Crescido ou crescida, é para sempre meu menino, minha menina.
Todo adulto um dia foi criança e se não teve a mãe presente, certamente alguém tentou fazer esse papel, que é o de zelar, educar, transmitir valores e ter orgulho de cada conquista, por menor que pareça. A torcida na partida de futebol, pelas boas notas na escola, e muitas preces até para que aquela vaga para o primeiro emprego fosse do rebento, sem se esquecer da entrada na universidade. Mães são seres protetores, conciliadores e aquelas com mais de um filho, amam todos sem distinção e infinitamente. As que já perderam um, dor pior não há.
Tem filho que reclama que as mães parecem ter olhos nas costas, que sabem tudo e preveem o futuro. "Leve uma blusa, porque pode esfriar". Que filho, na porta de casa e de camiseta surrada, nunca ouviu isso e sem que desse tanta atenção, literalmente se deu mal. Tem mãe que insiste para o pequeno fartar-se do caldinho de feijão. "É bom filho, tem ferro, previne anemia, só mais uma colherada." Do aviãozinho de quem usa o cadeirão, ao marmanjo que prefere o lanche famoso da cidade, mãe tá sempre de olho no que o filho come porque sabe que a alimentação é a base da saúde. Tem mãe que de tão legal, é popular e vira até conselheira da turma. As mais vistosas deixam os filhos enciumados, mas no fundo no fundo orgulhosos da genética da mulher mais importante do mundo.
Na poesia "Para Sempre", Drummond questiona: "Por que Deus permite que as mães vão-se embora? E emenda: "Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade."
Empresto as palavras do saudoso poeta para homenagear todas as mães que dentro de seus próprios limites conseguem dar bronca com ternura, fazer da sobra um banquete e ainda sorriem para os filhos para poupá-los ainda que uma lágrima queira estampar o rosto.

Walkiria Vieira é repórter no Jornal NossoDia

Imagem ilustrativa da imagem DEDO DE PROSA
mockup