De Londrina para Curitiba a gente vai ziguezagueando por um caminho que mais parece uma montanha russa, numa paisagem que nos revela pastagens, silos grandiosos, plantações, florestas de reflorestamento, indústrias, pontes, matagais, pedágios, restaurantes, indústrias, mas lá numa curva, indo a Lerroville e Tamarana, há uma grande pedreira que é um verdadeiro paredão e que sempre me chamou a atenção desde criança.
As pedras, que parecem sempre estar do mesmo jeito, erguidas pela natureza como um monumento, já têm alguns desbarrancamentos. E eu, naquela época, achava que a pedreira ia ser eterna. Pedras que alguns geólogos podem afirmar ter milhares de anos, formam a beleza de um cenário natural fantástico e que vemos tão rapidamente ao passarmos por ali, tornando-se apenas uma breve lembrança. Ponto turístico sem parada, pois ali é muito perigoso e só o passageiro pode comtemplar.
Certa vez - no início da década de 1970 - íamos para o sítio de um primo perto de Lerroville. Antes de chegar à pedreira, meu irmão perguntou ao meu pai porque tinha terra que não dava quase nada, enquanto outras produziam tanto. "Não é porque a terra aqui é velha?" Meu pai achou aquilo engraçado mas disse que na Europa, onde a terra já era cultivada há mais tempo, o solo continuava produzindo muito. A questão, disse-lhe, era que a terra lá era mais bem cuidada. Não se fazia queimadas. Corrigia-se a terra e se colocava tudo o que fosse necessário para que ficasse fértil. Na verdade, muita coisa mudou desde aqueles idos de 1970, pois vínhamos de uma cultura de colonização e derrubada de matas.
Logo passamos pela rodovia em frente à pedreira e meu pai continuou. "Não importa quantos milhares de anos tenham as terras, as pedras, os rios, se não houver esforço para cuidar, não teremos outros milhares de anos pela frente."
E hoje, relembrando o fato toda vez que passo por ali, vejo o quanto mudou a mentalidade do agricultor e o quanto a tecnologia tem feito pelo homem do campo. Fico impressionado, mesmo não sendo agricultor, com as coisas que se faz para melhorar a produção de alimentos e como se busca melhorar o cultivo agredindo o menos possível a terra. Fico pensando em como conciliar a produção econômica com a sustentabilidade? Desafios de um futuro cheio de incertezas. A população aumentando e os recursos científicos com tão poucos investimentos. É tudo muito complexo. O certo mesmo é que quando chegamos ao supermercado jamais imaginamos a epopéia que se seguiu para um simples tomate chegar até a banca de ofertas.

Dailton Martins é leitor da FOLHA

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