Quando eu era criança e até a minha adolescência, umas das coisas que mais gostava de fazer em minhas férias era visitar meus tios - e padrinhos - que moravam num pequeno sítio em Cianorte. A propriedade era modesta, com plantação de café. A casa era simples, de madeira, sem forro, sem energia elétrica, mas sempre acolhedora.
Durante o dia, desde a madrugada, havia a labuta no sítio, que seguia até o fim da tarde, ora na roçada do mato, ora na colheita do café. No fim da tarde, depois de tratar dos porcos, meu tio cortava algumas frutas em pedaços e colocava sobre uma prancha que ele instalara dentro do pomar e, sentados na ampla varanda, ficávamos apreciando os pássaros de diversas cores e cantos, em total liberdade na natureza, virem pouco a pouco saborear aquele manjar. E como que querendo agradecer, as aves subiam nos galhos das árvores e cantavam doces melodias, para o deleite de nossos ouvidos.
Outras maravilhas que não me saem da memória são a imagem e o perfume inconfundíveis e únicos da florada do café. E nessas tantas idas e vindas, apesar de sua pouquíssima instrução, meu tio me ensinou uma lição de gestão, que me valeu por toda a minha vida profissional como administrador.
Nos finais de semana, no intuito de preparar um almoço mais caprichado, minha tia pedia que buscássemos alguns frangos caipiras, para ela assar no forno a lenha ou na panela de ferro. Quando chegávamos ao galinheiro, meu tio pedia que eu pegasse um frango qualquer. Para não fazer feio, sendo mais jovem, eu me atirava no meio dos frangos com impetuosidade. Voava pena para todos os lados, mas nunca conseguia pegar nenhum, apesar de minha insistência. Meu tio dava gostosas gargalhadas vendo aquela cena. Depois de um tempo ele dizia: deixa eu te mostrar como se faz. Então entrava no galinheiro, fixava o olhar e num pulo agarrava um frango pelos pés, sem errar o bote.
Intrigado eu perguntava por que ele conseguia e eu não. Depois de muitos verões, ele me revelou: não adiantava tentar pegar qualquer frango que aparecesse na minha frente. Antes de tudo era preciso escolher um frango, focar somente nele, e dar o bote, sem se importar com os outros, por mais fáceis que pudessem parecer. Tanto no galinheiro quanto na administração de um negócio é preciso um objetivo bem definido e empreender todos os recursos e meios para atingi-lo com eficácia, para não se perder pelo caminho e ficar segurando somente as "penas" do empreendimento, seja ele qual for.

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