Entre as coisas boas do Facebook está a possibilidade de rever amigos e encontrar pessoas que fizeram parte de nossa história. No meu caso, a ferramenta possibilitou momentos emocionantes já que pude reencontrar amigas de escola, do prédio, do condomínio e até do transporte. Morei em várias cidades, conheci muitas pessoas, mudei incontáveis vezes e perdi o contato com muita gente que eu gostava. Sem contar que em São Paulo, mudar de um bairro significa mudar totalmente a rotina. Cada bairro é um universo, uma descoberta e sinceramente, uma adaptação, uma nova vida. Precisa mudar da escola, significa não rever os amigos e começar tudo de novo e até recomeçar a catequese.
Aprendi que a coisa boa da saudade é que é um sentimento que a gente só tem por quem fez bem. Mas dói. Também aprendi a lidar com ela. Já morei em 15 casas, me lembro o nome de todas as escolas e a memória, que hora machuca pela falta de quem tá longe, é também grande aliada. Não sei por que, mas me lembro do nome completo de todas as meninas do condomínio e das mais íntimas, sei até o telefone da época. A Vanessa Samaritano dos Santos é uma delas. A mãe dela é minha xará. Eu a conheci com sete anos e o convívio acabou aos dez. Eu a acompanhava na natação, balé e a vi dançar no Palácio das Convenções do Anhembi. Conheci com ela o Exotiquarium e estava sempre a tiracolo com sua família. Até me perdi no Mappin e na correria, perdemos a dança na festa junina.
Cada amiga tinha um jeito. A Ligia tinha coleções de gibi, o irmão mais velho dela, Fábio, era o ídolo das meninas e adorávamos brincar de escritório. Decorei o hino da escola onde a mãe dela, dona Esther, dava aulas, e anos atrás nos encontramos no Facebook. Quando perguntei da Ana, ela não acreditou. Era a empregada da família, que fazia um doce de banana bem pretinho, do qual nunca me esqueci o aroma e o sabor, passados quase 30 anos. Do outro lado da tela, Ligia, que assim como eu estava casada e tinha uma filha, banhava-se em lágrimas, sem saber o tamanho da minha emoção.
Adicionei aos amigos do face, os amigos puros da infância, aqueles com quem brigávamos num dia e no outro estávamos brincando sem nem lembrar o ocorrido. Juntei os do interior, os da capital e gosto de rever todo mundo. É bom ver o rumo que cada um tomou e ainda como contornou as dificuldades.
Lembro quando brincava de jogo da vida, escolhíamos a profissão, perdíamos dinheiro, os filhos nasciam e era tudo de brincadeira. Dia desses, a Lívia foi quem me achou e ficou feliz da vida, assim como eu.

Walkiria Vieira é jornalista no jornal NossoDia

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