Serra, serra, serrador...
Quantas tábuas você serrou...

A cantiga para entreter crianças pertence ao universo enorme das trilhas de brincadeiras infantis. É inspiração do Brasil rural, de meados do século passado. Urbanizada, resistiu a modernidade, uma vez que o velho serrador já não existe, substituído pela motoserra cujo poder de destruição é infinitamente maior.

Pouca gente, com menos de 50 anos, sabe o que é um traçador, também conhecido por serrotão. Uma serra de 3 a 4 metros puxada em vaivém por dois caboclos fortes, como todo homem do campo. Eles agarravam o equipamento pelos cabos de madeira presos em cada extremidade. Assim, cortavam as árvores abatidas no tamanho desejado pelas serrarias. Árvores frondosas ou frutíferas que viravam toras, que viravam qualquer tipo de madeira: tábuas, ripas, etc.

Pois é o traçador, aquela serra grande de lâmina elíptica usada nas derrubadas não era tão temida. Instrumento rudimentar, pesado, ele próprio limitava a velocidade do desmatamento. Meu pai passava horas afiando e prumando os dentes.

Hoje em dia, sem traçador e sem o intuito de plantar alimentos no lugar da floresta, os desmatadores usam equipamentos modernos devastadores. E contam com a omissão dos órgãos de governo que deveriam fiscalizar. Mas isto só ocorre nas novas fronteiras, em Mato Grosso, por exemplo. Aqui, pelas bandas do Paraná, o machado daria conta de acabar com o pouco que restou.

H.Ramos Bezerra
A prova de hoje foi inspirada no saudosismo de Antonhadão. Saudosismo que vem acompanhado de uma ideia. Diz ele, uma forma de conter a destruição das árvores seria limitar determinados equipamentos muito ''eficazes''. Como se faz em relação à pesca.

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