Gosto muito de observar as variações de estações, principalmente a passagem do inverno para a primavera. No final do inverno é bonito ver o despertar das plantas, que deixando de hibernar começam a se preparar para a chegada da primavera. A energia que estava dormente volta a aparecer para nos encher de alegria, pois nestes dias as árvores frutíferas ficam carregadas de flores.

Há poucos dias eu estava proseando com um amigo lá no sitio e comecei a sentir um perfume que vinha do pomar. Parecia cheiro de flor de laranjeira. Mas fiquei em dúvida, pois também havia mangueiras, pitangueiras, tangerinas e outras espécies florindo. Sem perder o fio da conversa, fui me aproximando do pomar para ver de onde vinha aquele cheiro. Só então pude constatar que era do limoeiro. E não de um limoeiro qualquer: o perfume vinha das flores do pé de limão-cravo. Na volta para a cidade, cismei a pensar sobre o limão-cravo.

Todo mundo sabe que o Brasil é um grande produtor e consumidor de limão, devido à famosa caipirinha. Mas pouca gente sabe que o limão é originário das montanhas do Himalaia, na Ásia, e que sua introdução na Europa e nas Américas ocorreu devido às suas propriedades medicinais e culinárias.

Existem muitas espécies de limão e as mais populares são o tahiti, que é pequeno, redondo, tem casca lisa e a cor verde escura; o siciliano, que é maior, alongado, tem casca grossa e cor amarela e o galego, pequeno, com casca lisa e fina, de cor verde ou amarelo claro.

Já o limão-cravo, mais conhecido no Norte do Paraná como limão-rosa, tem aparência rude, casca grossa, é meio arredondado e com intensa cor alaranjada. É conhecido também em outras regiões do Brasil pelos nomes de limão-cavalo; limão-capeta; limão-china; limão-bugre; limão vinagre; limão-bergamota e limão-bode.

Na natureza sua disseminação se dá pelos dos passarinhos, pelos frutos maduros que caem das árvores e pela ação dos ventos e chuvas, assim é comum encontrar pés de limão-rosa no meio do pasto, na beira dos córregos e das estradas rurais.

O limão-rosa tem muitas utilidades. Serve para fazer sucos, xaropes, bolos, doces. É muito bom para temperar saladas, peixes e carnes. Excelente para limpar tacho e fazer enxertia, daí o nome de limão-cavalo. Mas para a gente da roça a melhor serventia é espremer seu suco numa gostosa costelinha de porco, seja ela assada, frita ou cozida.

Gerson Antonio Melatti é leitor da Folha de Londrina.

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