Natal é o nascimento de Jesus, que veio ao mundo para nos salvar dos nossos pecados. Quantas crianças esperam ansiosas este dia para ganhar um presente não dele, mas do Papai Noel. Escrevem suas cartinhas dizendo que se comportaram bem, foram obedientes, passaram de ano e pedem o brinquedo.

Imagem ilustrativa da imagem DEDO DE PROSA - E o Natal de hoje ?
| Foto: iStock

Lembro-me dos natais da infância passada em Sertaneja; da bicicleta que o Idivar ganhou e só encontrou à tardezinha no escritório do papai – brincadeiras do Papai Noel – da minha boneca que anda ( novidade na época ), da outra vestida de noiva; dos kits de xícaras com os pires, bule, leiteira; panelinhas, pratinhos, colheres, garfos e facas.

Quando chovia, meus irmãos e eu gostávamos de ficar nas janelas, ora em pé ora ¨ empoleirados ¨nas camas para ver a chuva cair. Víamos nosso quintal cheio de goiabeiras, com muitas "burquinhas" no chão, os cachorros protegidos na garagem, as prateleiras da nossa casinha, cheias de cacos de louças quebradas da cozinha, agora substituídas pelo presente que ganhara no Natal. De repente, o que vejo ? A minha boneca vestida de noiva na chuva, toda molhada e estragada... Corri para ir buscá-la, mas a mamãe não deixou e eu chorei muito.

E quando passávamos o Natal na Fazenda Serrinha, em Cássia dos Coqueiros? O papai falava que lá o Papai Noel não ia, mas não importávamos. O vovô dizia que era casa de adultos e como não tinha crianças, ele não passava pela fazenda. Eu me recordo de um almoço de Natal na Serrinha, aquela mesa enorme onde se sentavam meus avós, os tios solteiros Paulo, Dodô e Armando, meus pais e nós, as crianças. Ao lado de cada prato, tinha uma garrafinha de guaraná ou sodinha e no lugar do Carlos e Beto, meus irmãos gêmeos, duas latas de leite em pó Pelargon porque eles eram bebês. São pequenas lembranças de quem teve uma infância feliz.

Agora, em Londrina, nosso Natal é comemorado com um jantar de confraternização, amigo secreto, reunindo cerca de sessenta pessoas da família e alguns amigos mais chegados. Além do aniversário de Jesus, também comemoramos o da Idivanda. Passamos momentos muito felizes juntos trocando presentes, conversando, rindo bastante, contando novidades, planos.

E agora, como vai ser o Natal deste ano tão especial, tão conturbado? Um "drive thru"¨, os parentes passando aqui em frente para ver a mamãe e nós? Não sei não; pode ser que não resistam em só ver e queiram entrar para os abraços e beijos de felicitações de final de ano. Não, é melhor não. Vamos então pedir que rezem para o Menino Jesus abençoar nossa família, dando-nos saúde, agradecer a cura de nossos parentes e amigos, pedir pelos doentes do mundo inteiro, que console aqueles que perderam entes queridos na pandemia. Vamos todos pedir para que o próximo ano seja bem diferente deste que está terminando, que seja um ano de muita esperança, de cura e de agradecimento.

Idiméia de Castro, leitora da FOLHA

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