DEDO DE PROSA - Animais de estimação
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de dezembro de 2020
null 

Estava no centro de Londrina quando minha irmã pediu para que eu comprasse ração para a sua cachorra, uma fox paulistinha chamada Montanha. Logo entrei em uma Pet Shop, onde além da ração encontrei uma variedade de produtos destinados aos animais de pequeno e médio porte. Passeando dentro da loja, lembrei do tempo de criança, quando em nosso quintal havia criação de porcos, vacas, coelhos, pombas e galinhas. Meu pai gostava de garnisés e eu e meus irmãos nos dedicávamos à criação de codornas, porquinhos da índia e passarinhos.
Certa vez, construímos um viveiro tão grande que dava para entrar e ficar em pé enquanto tratávamos da passarada. Quanto aos animais domésticos, minha família sempre preferiu os cachorros. Não sei por quais motivos, mas nunca tivemos gatos. Naquela época os animais não se misturavam com as pessoas. Por termos muitos bichos não dividíamos o espaço com eles, que sempre ficavam no entorno da casa.
Hoje os animais de estimação vivem bem próximos aos seus donos, sendo considerados como membros das famílias. Volta e meia, quando um cão ou gato desaparece, é comum alguém da casa adoecer de saudades do bichinho. Outro fato corriqueiro é o roubo de gatos e cães de raças valiosas, que acabam sendo levados pelos ladrões quando invadem as residências.
É triste constatar que o gosto das pessoas em terem seus bichos de estimação acaba incentivando a captura e o contrabando de animais silvestres em várias partes do mundo. Na conversa com a vendedora da loja, fiquei impressionado com as espécies que atualmente as pessoas estão adquirindo: iguanas, cobras, furões, mini porcos, aranhas, gansos, saguis, corujas...
O mercado de animais de estimação é muito importante na economia mundial e o Brasil se tornou um grande consumidor nesse campo. Temos 139 milhões de pets enquanto que os Estados Unidos e China possuem 259 e 464 milhões, respectivamente. Estima-se que existam 1,6 bilhões de animais de estimação no mundo, sendo que a criação de peixes ornamentais ocupa o primeiro lugar.
Pensando na criação de peixes em cativeiro, lembrei de um amigo chamado Perdigão, cuja família possui dois animais de estimação inusitados. São peixes da espécie Piaractus mesopotamicus, mais conhecidos como Pacu-Preto ou Pacu-Caranha, que atendem pelos nomes de Chicão e Pedrão. Anos atrás eles foram adquiridos na estação de psicultura da Universidade Estadual de Londrina pelo Seu Hélio, pai do Perdigão, que os levou diretamente do campus universitário para a lagoa do sítio Água Corrente, propriedade da família localizada no Distrito de Lerroville.
Chicão e Pedrão já passaram dos dez anos de idade, são peixes adultos e considerados muito inteligentes. Basta alguém da família bater palmas de um jeito específico, que eles botam a cabeça pra fora d’água esperando ganhar um alimento ou carinho. De vez em quando também recebem instruções de fuga e salvamento, pois já houve inúmeras tentativas de gente mal intencionada querendo capturá-los. Bem treinados e alimentados, eles não se deixam fisgar e só atendem aos chamados dos familiares. Por isso é que vivem felizes na lagoa, ao lado das tilápias, lambaris, traíras e bagres, fazendo a alegria de quem pode admirá-los.
Gerson Antonio Melatti, leitor da FOLHA


