DEDO DE PROSA - A vida em Assis
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de outubro de 2019
Idiméia de Castro 
Era o ano de 1965 quando mudamos de Sertaneja para Assis. Uma cidade pacata, de pessoas estabilizadas financeiramente, uma cidade universitária, porque ali havia a Faculdade de Educação Física e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, escola isolada da USP.
Fomos morar na Vila Xavier, perto do centro, numa casa construída rente à calçada, como muitas no interior, com uma área (varanda) na frente. Entrava-se por um portãozinho do lado direito e do outro havia um portão maior que entrava para a garagem e o quintal onde brincávamos. Lembro-me bem de um pé de caju ali plantado; achava bonito o seu fruto.
Toda manhã, o leiteiro e o padeiro deixavam os litros de leite e o pacote de pão em cima do muro da nossa varanda. O papai pagava sempre no final do mês. Quando a gente acordava, estava tudo lá, ninguém roubava e nem os nossos dois cachorros, o Rex e o Roy mexiam. Era uma época em que se podia confiar nas pessoas, não havia assalto nem violência. À tarde, passava o homem com a carrocinha, buzinava e corríamos para pegar o pão ou alguma coisa diferente, pão doce, rosca, bolacha... E quando o sorveteiro passava... Ah, que delícia, era bom demais!!
Estudávamos, brincávamos e, de vez em quando, íamos à chácara para ajudar e ver os porquinhos de raça que nasciam. Mas não víamos a hora de chegar o sábado e o domingo. Frequentávamos o Clube São Paulo que ficava a poucas quadras de casa. Entrávamos na piscina, os meninos jogavam bola; o Idivar e eu éramos bons no tênis de mesa. Ele até participava de campeonatos.
E o que eu mais gostava era de ouvir músicas no alto-falante do clube. Eram as músicas da época, as italianas e as da Jovem Guarda. Eu sabia de cor a letra das músicas do Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Jerry Adriani, Wanderlei Cardoso, Renato e seus Blue Caps, etc. Numa tarde de domingo, o conjunto “Os Incríveis” fez uma apresentação no clube. Foi inesquecível!!
O tempo passou e meus pais disseram que, além de estudar, os meninos tinham que trabalhar. Eles ainda não tinham 18 anos, porque o mais velho, o Dadá, estava com 19 e depois vinha eu. Então, no início de 1969, minha família veio para Londrina, uma cidade onde havia maiores oportunidades de trabalho para todos. Eu continuei em Assis porque já estava estudando Letras Neolatinas na Faculdade. É, também não foi fácil para mim, mas esse é assunto para uma próxima crônica.
Idiméia de Castro, leitora da FOLHA


