Os cafés especiais exigem atenção, dedicação e boa assistência técnica. Os cafeicultores que investiram nisso e chegaram à final do concurso não escondiam a satisfação. ''Plantar café é como enfrentar um AVC (acidente vascular cerebral): tem que ter coragem'', diz dona Olívia Fustinoni da Silva, ao receber o prêmio de melhor café natural. Aos 77 anos, a produtora de Mandaguari subiu ao palco do evento de bengala por causa das sequelas de um AVC.
Ela entrou na cafeicultura em 2002 depois de ficar viúva. A primeira colheita foi em 2004. ''Sempre trabalhei de forma ética e contei com boa assistência técnica. Fiz tudo direitinho, montei secador alto, cuidei da adubação. Espero que esse prêmio me ajude a continuar trabalhando na agricultura com melhores resultados'', afirma a produtora, acompanhada do porcenteiro Edézio Rodrigues da Silva. Para ele, o segredo de um bom café é acompanhar a orientação dos agrônomos e não descuidar. ''Temos terreiro suspenso, mexemos o café de oito a dez vezes por dia e fechamos antes das seis da tarde para não armazenar umidade'', conta.
O produtor Yassumassa Asami, que conseguiu o melhor preço no leilão (R$ 1.003 a saca de café natural), comemorou o resultado ao lado do filho Valter Asami. Eles têm lavoura de 19 hectares em Marialva e produzem um café com o ''mínimo possível de produtos químicos''. ''Esse reconhecimento é um incentivo para continuarmos lutando por um café de qualidade na região de Marialva. Temos muito a agradecer aos funcionários e à assistência técnica'', diz. No concurso de 2007, ele teve café arrematado por R$ 1,7 mil a saca, sendo o campeão estadual e o vice-campeão nacional no Encafé.
Para Valtamir Mezzomo, de Salto do Itararé, campeão nacional em 2006 na categoria café natural, os concursos são importantes para motivar os pequenos produtores e melhorar a qualidade do café. ''Os cafeicultores hoje têm que sair do campo e buscar conhecimento, novas tecnologias'', afirma Mezzomo, que trocou a publicidade pela cafeicultura em 2003. O produtor disse que depois do prêmio o seu café tem mais reconhecimento. ''Vendo hoje por um melhor preço, mas ainda estou batalhando para abrir novos mercados''. No concurso deste ano, Mezzomo ficou entre os finalistas e conseguiu vender café natural a R$ 422 a saca no leilão estadual. (G.M.)

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