No Brasil a decisão de financiar máquinas é tomada unilateralmente junto às indústrias. Foi o que aconteceu esta semana. Depois de se reunir com o vice-presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Pérsio Luiz Pastre, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, garantiu às empresas fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas que o governo vai estudar a liberação de mais recursos para o Moderfrota. O programa permite ao produtor comprar tratores e colheitadeiras a juros subsidiados, de 8,75% ao ano. ''Esse é um assunto que está na pauta; é uma das prioridades do governo'', afirmou o ministro.
Segundo a Agência Estado, através da repórter Fabíola Salvador, os R$ 800 milhões oferecidos pelo Plano Agrícola e Pecuário 2002/03 esgotaram-se em dezembro de 2002. As previsões eram de que o montante fosse suficiente para atender à demanda no ano-safra que vai de junho de 2002 a julho de 2003, mas a demanda, aquecida por financiamentos no fim do ano, esgotou os recursos.
Os recursos para financiamento das máquinas são do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento.
Uma decisão sobre a liberação de recursos para o Moderfrota depende de voto no Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo Pastre, o ideal seria que o governo mantivesse em 2003 a liberação mensal de R$ 225 milhões para o Moderfrota. Ele lembra que os recursos do Modefrota são repassados aos agricultores por meio de 150 instituições financeiras, e desse total 10 são mais atuantes no segmento agrícola.
O ministro da Agricultura pediu às empresas fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas que estudassem a criação de um mecanismo que facilitasse o acesso de pequenos produtores à mecanização agrícola. ''O ministro pediu para estudássemos que tipo de ferramenta as empresas poderiam criar para que os pequenos produtores tivessem direito ao financiamento agrícola'', afirmou Pastre.
Levantamento da Anfavea mostra que foram comercializados 42.564 tratores e colheitadeiras no Brasil em 2002, ante 24.696 unidades em 1999. As exportações saltaram de 4.207 unidades em 1999 para 10.421 unidades no ano passado. ''Com a crise no Mercosul, aumentamos as vendas para os Estados Unidos, Venezuela, México, Chile, África do Sul e Colômbia'', afirmou. Antes da crise argentina, o Mercosul respondia por 50% das exportações de máquinas e equipamentos agrícolas. Em 2002, esse porcentual caiu para 9,6%. (A.E:)

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