Se no setor de carne a Europa não dá sinais de que irá facilitar a vida do Brasil, Bruxelas iniciou na quarta-feira, dia 6, a primeira revisão de seus mecanismos de defesa comercial dos últimos dez anos e que poderão dificultar a aplicação de medidas antidumping pelos europeus contra produtos importados.
O comissário da União Européia (UE) para o Comércio, Peter Mandelson, abriu um debate que vai até março sobre como devem ser reformadas as leis de antidumping e salvaguardas. Pela proposta da UE, ficaria mais difícil para as empresas pedir essas proteções. Mandelson, cansado de enfrentar protestos de protecionistas europeus por mais barreiras, quer que consumidores e importadores também sejam ouvidos no processo.
A iniciativa da Europa pretende facilitar a vida das empresas da própria região que optaram nos últimos anos por distribuir sua produção em regiões fora da Europa. Muitas delas produzem em outras regiões e importam para o mercado europeu. ''Numa economia global em plena transformação precisamos estar seguros de que nossos instrumentos de defesa comercial e o seu uso levam em consideração as novas realidades da globalização'', afirmou Mandelson.
Um exemplo é o setor de sapatos e equipamentos esportivos. Os europeus compram cada vez mais da China e Vietnã e os produtores dos países do sul da Europa insistem por novas salvaguardas. Mas para empresas européias, como a Puma ou Adidas que se mudaram para a Ásia, essas barreiras prejudicam seus interesses. Além do setor de sapatos, os produtores têxteis, de móveis e siderurgia deverão fazer oposição à proposta de Mandelson. (A.E.)

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