''Enxada, foice, machado e muita vontade de vencer''. Assim o agricultor Lauro Clivati, 82 anos, resume sua história de vida. Trabalho duro no campo, derrubada de matas no braço, chuva, geadas e a incerteza da produção, foram alguns dos capítulos vividos pelo pioneiro, que chegou em Londrina em 1932, com 12 anos, vindo do Estado de São Paulo, acompanhado da mãe, viúva, e mais oito irmãos.
Na época, movidos a fazer a vida com o café. Na bagagem, além das malas e dos filhos, a mãe trazia 18 mil réis, utilizados para a compra do primeiro lote de terras de 77 hectares, dois anos depois da chegada da família, na região do Quilômetro 11 (zona sul de Londrina).
Quando se comemora o Dia do Agricultor (28 de julho), vale lembrar a história dos muitos Clivati que ajudaram a fazer desse País um grande produtor de alimentos.
''Ficaram ricos'', interfere a esposa Aurélia Clivati, 68 anos, informando que os famíliares chegaram a ter mais de 700 hectares de terra espalhados por diversas regiões do Estado.
A linguagem da agricultura moderna, como técnicas de plantio, melhoramento genético, alerta geada, estava muito longe da imaginação e dos anseios desses desbravadores. ''Era tudo levado na enxada de cabo de guatambu'', recorda ''seo'' Lauro.
Para adubar a terra, depois da colheita, o agricultor lembra que era jogado apenas o ''cisco'' (palha do café) nos pés de café. ''Chovia muito, e não precisava controlar a broca e a praga mineira que aparecia''. O único inseticida da época era o BHC, que fez muitas outras vítimas além das pragas dos cafezais. O veneno era aplicado ''de qualquer jeito''. ''Um vizinho ensinava o outro'', completa.
Em 1950, Clivati se mudou para a cidade com a mãe e uma tia, para dar mais conforto a elas. O trabalho no sítio continuou por mais alguns anos. Depois, já casado com Aurélia, e cansado das idas e vindas, o agricultor deixou as propriedades aos cuidados dos irmãos e partiu para outra experiência: trabalhar como taxista, onde atuou por 35 anos. Nesses anos, as famílias foram crescendo e praticamente se desfizeram das propriedades. ''Não se pensava na importância da terra. Faltou organização'', justifica Aurélia.
Lauro Clivati e um irmão compraram o lote de terras onde ainda moram, na região do Heimtal (zona norte de Londrina), que pertencia ao sogro.
Quarenta e dois anos depois, Clivati se rendeu aos apelos da mulher e voltou para o sítio acompanhado de três dos seis filhos. A propriedade havia sido divida e a família ficou com 19 hectares. O cultivo ficava entre café, algodão e hortaliças.
Por volta de 1993, estimulado pelo Programa Panela Cheia, criado no primeiro mandato do governador Roberto Requião e do senador Osmar Dias (na época secretário de agricultura), o filho Carlos Alberto Clivati incentivou a família a investir em piscicultura. ''Já com a idéia de montar um pesque-pague''. A nova modalidade rural hoje é a principal fonte de renda da família.

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