Mesmo com o início da colheita da soja no Paraná o preço do grão tem se mantido em bons níveis no mercado. A média de preços no início da semana era de R$ 46,24 e US$ 26, na Bolsa de Chicago, a saca de 60 quilos. O mercado da soja opera, segundo o técnico Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura (Seab), com a maior média histórica já registrada. Em 2003/04, quando a soja atingiu R$ 52/sc o preço médio em dólar era de US$ 13, com a cotação da moeda em quase R$ 3,00.
As razões dos preços permanecem na demanda internacional aquecida pelo biodiesel, o aumento nas exportações para a China, os investimentos dos americanos no milho para a produção do etanol e aos baixos estoques mundiais.
O panorama começa a ganhar forma no oeste onde a colheita está mais adiantada. No norte as máquinas entram na primeiras lavouras. Até agora, segundo o Deral, foram colhidas apenas 7% de toda a área plantada que é de 3.910 milhões de hectares.
A produtividade ainda não tem números, diz Hubner. Mas as boas condições climáticas no desenvolvimento das lavouras permitiu recuperação do período de estiagem registrado no início do plantio, com expectativa novamente de safra recorde. As estimativas são para a produção de 11.880 milhões de toneladas que devem superar o recorde do ano passado, em que o Paraná colheu 11.770 milhões t.
Mesmo assim, os preços devem se manter. ''Não há previsões de quedas para os próximos dias, nem mesmo para os próximos meses'', destaca o técnico do Deral. Essa tendência de boa oferta com preços em alta é considerada ''inusitada'' pelo gerente técnico e econômico Flávio Turra, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). ''A conjuntura internacional favorece a manutenção de bons preços'', confirma ele, destacando que no cenário positivo inclui-se também o milho.
Turra, no entanto, sugere cautela aos produtores na hora da venda e na aplicação dos lucros para que não caiam novamente em dívidas, como ocorreu com o boom da safra 2003/04. O período é novamente considerado atípico e permitirá apenas mais um fôlego ao produtor, por isso, a orientação é para a venda parcelada da produção. ''O primeiro passo é quitar os compromissos do custeio e, depois, preparar uma poupança para situações futuras. É mais seguro manter um capital de giro do que cometer excessos com supérfluos'', aconselha.

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