De Uraí para cafeterias da Finlândia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de junho de 2003
Reportagem Local 
O comerciante de café e agricultor Lino José Nardin, de Uraí, começa este ano a montar lotes de café gourmet que vai exportar diretamente para o varejo de de cafés finos. Os primeiros lotes estão sendo negociados com a Filândia, mas ele já fez contatos com comerciantes da Suíça e, através da Internet, está identificando outros nichos de mercado.
''Esses importadores, que vendem diretamente no varejo, através de boutiques de café, estão à procura de cafés finos. Eles só compram cafés especiais'' - informa Lino Nardin.
O produtor de Uraí só está conseguindo conquistar esses nichos de mercado porque seus cafés reúnem a pré-condição essencial de cereja descascado que hoje é top de linha.
O diferencial está no preço, na qualidade de bebida, nos cuidados e em todo o processo da produção e preparo, incluindo uma mão-de-obra treinada.
Sobre os preços do café gourmet no mercado internacional, Nardin acredita que ele alcança, entre 30% e 40% a mais que os cafés normais. Ele chama de café normal o café de exportação do Paraná, tipo 6 bebida dura, um café bom.
Apesar dos cuidados que tem com a lavoura, Nardin explica que não é toda a produção que consegue gerar o café gourmet. Este ano, mesmo com o clima correndo bem, só 60% da produção consegue chegar ao padrão gourmet. É uma média boa, observa.
''A idéia da gente é montar lotes de café para exportação diretamente para cafeterias européias e norte-americanas. Ele incentiva outros produtores a participarem do negócio.
''Você pode exportar individualmente, desde que atinja 320 sacas, suficientes para montar um contairner'' - explica Nardin. No entanto, não é fácil reunir 320 sacas de um café que tenha o mesmo padrão, a mesma bitola e a mesma bebida.
A propriedade de Nardin é pequena - como a grande maioria das propriedades da região - mas ele planejou bem a produção. ''Temos um projeto para produção de cafés de alto padrão. Eu não olhei simplesmente para o morro e comecei a plantar café. Aqui temos variedades de alto padrão como a Iapar 59, Catuaí, Ubatã e Sachimor-Tupy. Essas variedades, pelas suas características proporcionam um escalonamento de colheita. Se fosse colher tudo numa época só não seria possível porque a estrutura é pequena.
Quando decidiu montar essas estrutura, Nardin pensou em fazer um marketing regional - ''ou pelo menos do nosso município'' - para montar lotes de alto padrão e chegar ao exigente consumidor que frequenta as requintadas cafeterias da Europa e EUA. ''É isto que agrega maior valor'' - resume Nardin.
Cita com orgulho os elogios recebidos de comerciantes da Filândia, que visitaram a região em março.
''Eles trabalham com cafés do mundo inteiro e os preços do cafezinho nas cafeterias variam de 2 dólares a 6 dólares.
Se você contar que um saco de café converte 5 mil xícaras, logo eles fazem até 10 mil dólares em um saco de café. Nós vendemos em torno de 50 dólares por saco e eles (os comerciantes estrangeiros) ficam com 9.950 dólares. Este é um dos problemas da distribuição de rendas na cadeia produtiva do café - observa Nardin.
Sobre os cafés que se toma no Brasil, ele disse que muitas indústrias torram café de baixa qualidade visando reduzir de custos. E que o brasileiro se acostumou com cafés de baixa qualidade. Um café bom teria que valer em torno de R$ 4,00 a R$ 6,00 cada pacote de 1/2 quilo. No entanto, é possível encontrar cafés a R$ 1,80. ''Não podemos acreditar que possa haver apenas café dentro daquela embalagem'' - conclui.


