De sem terra a produtor
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sexta-feira, 04 de março de 2005
Reportagem Local 
Pinçado do contingente de mais de mil pessoas invasoras de terras em Alvorada do Sul no final da década de 90, um grupo de 29 famílias deixou de viver debaixo da lona e hoje conquistaram a esperança concreta de cidadania rural. Há cinco anos, nasceu em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina) o Assentamento Florestan Fernandes, uma das experiências de sucesso da regularização fundiária. As famílias assentadas já estão integradas à comunidade local e contribuindo em romper preconceitos.
A história da constituição desse assentamento não difere de tantos outros milhares do país. Em 1997, o então proprietário da Fazenda Floresta, procurou o Incra para vender 330,08 hectares da propriedade. Nos critérios de seleção de beneficiário do programa oficial de reforma agrária, o grupo escolhido para ocupar a fazenda demonstrou vocação agrícola e aptidão produtiva. Assim, no final do mesmo ano, a propriedade foi liberada para a entrada legal dos novos proprietários e recebeu o nome de Assentamento Florestan Fernandes, ''em homenagem ao sociólogo brasileiro, intelectual ligado aos movimentos sociais e defensor das classes oprimidas'', lembra Pedro Vieira, um dos coordenadores do assentamento junto ao MST e ao Incra, além de presidente da Associação dos Produtores de Leite.
A 11 km da sede do município, o assentamento é hoje considerado uma comunidade rural com elevado índice de resultados produtivos. Todas as famílias produzem leite principal atividade econômica combinado com lavoura de grãos, bicho-da-seda, aves de corte e frutas. Ao comercializarem o total de 2 mil litros/dia, este fator confere ao local a denominação de núcleo da bacia leiteira do município e ajuda a colocar o produto no terceiro lugar do ranking do Valor Bruto da Produção (VBP), depois da cana-de-açúcar e grãos.
O crescimento produtivo do leite aconteceu em paralelo a atuação de uma associação de produtores do próprio assentamento, com 11 integrantes, tendo por objetivo organizar o volume para melhor oferta e realizar compras conjuntas de insumos. Porém as dificuldades de comercialização do leite provocaram o nascimento, em maio do ano passado, da Cooperativa Agrícola Florestan Fernandes (Coaffe).
A produtora rural Evanilde de Souza Bonfim de Lima, 40 anos, a dona Nena do Sítio Bonfim, é a atual presidente da nova cooperativa e tem a missão de levar adiante as soluções de vida dessa comunidade rural de 116 pessoas. ''Em três anos de mandato queremos comprar um trator comunitário, atrair novas atividades agrícolas, melhorar a renda das famílias e ocupar os jovens'', assegura, destacando que as propostas são frutos da participação das famílias nas decisões importantes.
Dona Nena agrega ao seu favor a superação de problemas típicos dos assentamentos, já que todas as famílias se conhecem de longa data, seus integrantes são trabalhadores, ordeiros e religiosos. Os assentados contam com infra-estrutura de água encanada, luz elétrica, alguns telefones celulares e automóveis. As crianças e adolescentes, no total de 30, frisa Nena, frequentam as escolas de Florestópolis, com transporte escolar municipal regular nos três períodos.


