De olho no tempo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de agosto de 2004
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
Chuvas mal distribuídas, com períodos de seca, e mudanças bruscas na temperatura, com ondas hora de muito frio, hora de muito calor. Este deve ser o ''cenário'' climático até o final do inverno. Agora em agosto, por exemplo, depois de uma semana de temperaturas mais elevadas, a previsão, na semana que vem é de mais frio.
A exemplo do que já aconteceu no ano passado, em mais um ano sem os fenômenos El Nino ou La Nina, os agricultores devem ficar de olho nos ''caprichos'' do clima daqui para frente. O alerta é do meteorologista Luiz Renato Lazinski, do Instituto Nacional de Meteorologista (InMet), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que participou do 2º Seminário Estadual da Cadeia Produtiva do Milho, em Curitiba.
Segundo Lazinski, pelo menos até outubro ainda estão previstas mudanças bruscas na temperatura em todo o Paraná. Agricultores do Norte e Oeste do Estado, no entanto, não devem se preocupar com geadas tardias que possam prejudicar o trigo, mas no Centro-Sul do Estado, as ondas de frio previstas para o final de agosto e início de setembro ainda podem provocar o fenômeno.
Ás vesperas do plantio da próxima safra, segundo Lazinski, o agricultor vai encontrar um clima de neutralidade, sem influências de fenômenos como El NiÀo ou La NiÀa, o que pode ser, de certa maneira, problemático para as culturas de verão. ''A neutralidade climática se caracteriza por má distribuição de chuvas o que pode prejudicar a produtividade das lavouras'', diz o meteorologista, lembrando do que aconteceu na safra de verão passada, com prejuízos ao rendimento da soja.
Em anos de neutralidade climática, como este, avisa Lazinski, o agricultor pode esperar chuvas irregulares e grandes oscilações na temperatura. Segundo ele, no entanto, o clima daqui para frente não terá força para atrasar o cronograma de implantação da próxima safra de verão, mas poderá prejudicar a produtividade das lavouras, especialmente aquelas que em período de florescimento ou enchimento de grãos precisarem de mais água para bom desenvolvimento.
O comportamento do clima de agora até o final do ano será muito semelhante ao que aconteceu no final de 2003 e início de 2004, reafirma Lazinski. Na última safra de verão, ele lembra que as chuvas foram abundantes em novembro/dezembro (2003). Já em meados de janeiro (2004) as precipitações foram escassas e passaram a ser bastante irregulares. Isso afetou algumas áreas de lavouras de verão e depois atrasou plantios de inverno como o do milho safrinha.
''Na última safra de verão a neutralidade climática provocou problemas, com redução de produtividade, situação que o agricultor pode esperar para a próxima safra,'' avisa Lazinski. Segundo ele, uma das maneiras que o agricultor tem de driblar as intempéries climáticas, orientadas por técnicos, é fazer o escalonamento de plantios para fugir de períodos de estiagem ou de dias de muitas chuvas. A inconstância climática que o meteorologista classifica de neutralidade, deverá predominar até março ou abril de 2005.


