De olho no rebanho para evitar prejuízos
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sexta-feira, 02 de novembro de 2001
Cláudia Barberato<br>De Londrina 
O trabalho nas fazendas de gado de corte está voltado hoje para dois manejos: estação de monta e nascimento de bezerros. Para o pecuarista que adotou a recomendação de técnicos e fez a estação de monta programada no ano passado há nesse período uma concentração de nascimentos na propriedade. A estação de monta desse ano, com o uso de touros na vacada ou com a inseminação artificial das fêmeas, também está sendo realizada. ''A mão-de-obra está a pleno vapor. Estamos ainda no período de estação de monta e os bezerros que estão nascendo precisam de cuidados especiais'', avisa o veterinário e pecuarista Alexandre Kireff, que tem propriedades no Paraná e no Mato Grosso do Sul.
De olho no rebanho
Para aqueles pecuaristas que adotam a estação de monta natural no seu rebanho, com touros soltos do meio da vacada ou os que utilizam a inseminação artificial das fêmeas, a maior mão-de-obra é verificar o estado dos animais a campo e ficar de olho no rebanho.
''Os funcionários devem estar atentos e bem treinados.'' No caso dos touros ver se os animais não estão se machucando e se estão cobrindo as fêmeas. O manejo das fêmeas, além da identificação do cio, é ofertar capim de qualidade e sal mineral para colaborar para o bom estado corporal.
Para o veterinário o ideal é obter taxas de prenhez acima de 85%. A inseminação feita 12 horas após o cio, segundo Kireff, obtém ótimos resultados. Por isso é importante ficar sempre atento aos movimentos do rebanho.
Os sinais do cio nas fêmeas são uma certa irratibilidade, que aumenta nesse período, e o fato das vacas aceitaram a monta do rufião (macho infértil que fica solto no meio do rebanho) e de outras fêmeas. No caso da monta natural, como o touro fica solto no meio das fêmeas, normalmente a fertilização se dá no momento do cio.
Cuidados especiais com bezerros
Os erros na estação de monta vão ficar caracterizados na estação de nascimentos. O que se quer, segundo o veterinário, é que uma vaca dê um bezerro ao ano. E o trabalho não para por aí. No nascimento dos bezerros, de acordo com Kireff, o mais importante é fazer a cura correta do umbigo.
O tratamento é feito para prevenir contaminações e infecções. Deve-se cortar o umbigo na medida de dois dedos, cerca de três a quatro centímetros abaixo da inserção do prepúcio, e desinfetar com um produto adequado. Kireff usa solução iodada para fazer a cura do umbigo. Uma ação complementar para o trato do umbigo é aplicar 1 ml de invermeticna, um antiparasitário. O medicamento, avisa o Kireff, não vai evitar infecções por bactérias, mas pode controlar a miíase que é a chamada bicheira.
Cumprir calendário de vacinas
Caso a fêmea, mãe desse bezerro, não tenha sido vacinada contra paratifo, vacinar o bezerro entre o 15º e 20º dias de nascido. Deve ser feita também a vacinação contra febre aftosa seguindo a orientação do órgão de defesa estadual. No Paraná a campanha de vacinação prosseguirá até o próximo dia 20. Nesse período é indicado fazer a primeira dose da vacina contra carbúnculo em fêmeas e machos. O reforço é feito na desmama, por volta dos sete meses de idade do animal quando inicia-se também a desverminação. A vacina contra brucelose, em uma única dose, deve ser aplicada nas fêmeas com três a oito meses de idade.
Outras vacinas indicadas contra IBR, leptospirose e outras deverão ser aplicadas de acordo com o histórico da propriedade. Se houver diagnóstico recente de problemas com essas doenças é preciso vacinar. Contra o botulismo, a primeira dose é no quarto mês de idade e, a segunda, 40 dias após a primeira e deve ser repetida anualmente. Contra a raiva a recomendação é aplicar em animais a partir do quarto mês com revacinações anuais.
Pela recomendação dos pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), tanto a vaca como os recém-nascidos precisam de cuidados especiais para não ficarem com a saúde comprometida. No decorrer da vida do animal, outras vacinas e tratamentos, como o de parasitos, deverão ser feitos. O acompanhamento de um bom técnico é necessário para garantir a saúde dos animais.


