A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) acaba de finalizar um projeto sobre o uso de biocombustíveis como nova fonte de energia que deverá entrar em vigor em julho próximo. Os trabalhos, que vêm sendo elaborados há dez meses, serão realizados em parceria com 25 entidades de pesquisa e uma equipe de 180 pesquisadores do Brasil e do mundo, liderada pela Embrapa Soja.
Inicialmente, o projeto pretende priorizar o estudo do potencial produtivo de quatro espécies oleaginosas, além da soja: girassol, canola, mamona e dendê. ''Iremos estudar as melhores condições para a produção de matéria-prima de qualidade, o zoneamento agroecológico das culturas e o uso racional de tortas e farelos e também da glicerina, importante subproduto do biodiesel'', explica o líder do projeto, o pesquisador da Embrapa Soja, Décio Luiz Gazzoni.
Segundo ele, o estudo prevê ainda a análise dos impactos social, econômico e ambiental do uso do biocombustível, além da influência direta sobre sistemas motores. ''Tecnicamente, o biodiesel já pode ser utilizado na sua forma pura, mas o governo só permite sua venda quando combinado ao diesel, na proporção de 2%'', afirma.
De acordo com o pesquisador, dois fatores ainda limitam o uso do biocombustível no Brasil: a liberação de substâncias cancerígenas presentes nos gases liberados pelo escapamento dos veículos e o depósito de glicerina no motor. ''A glicerina presente no óleo vegetal não queima e se acumula no motor, dificultando e encarecendo a manutenção do mesmo'', diz.
Segundo Gazzoni, o processo de transesterificação quando as moléculas de glicerina são trocadas por moléculas de álcool ou diesel pode ser uma solução para evitar problemas de motor. ''Este processo é ideal para grandes produtores ou cooperativas, que apresentam um consumo diário de 200 mil até um milhão de litros de diesel'', sugere.
Outra alternativa desenvolvida pela Embrapa Soja para a obtenção de biodiesel é uma microrefinaria, que segue os princípios básicos de produção de combustível de uma refinaria comum, mas utilizando óleos vegetais. Elaborado em parceria com a Universidade de Brasília, o processo produtivo do protótipo comercial de microrefinaria envolve a quebra de moléculas do óleo vegetal em partículas menores, que se reassociam, dando origem a novas formas de combustível vegetal. ''Esta tecnologia é ideal para pequenos grupos de produtores, que consomem diariamente de 500 a mil litros de combustível'', aponta Gazzoni.

mockup