Faltam pouco mais de dois meses para as festas de final de ano. Na agricultura, é o momento de muitos produtores focarem no plantio de soja no Estado. Entretanto, em meio a este "mar" de grãos, fruticultores paranaenses se aproximam da época decisiva da colheita, na expectativa de colocar na ceia dos consumidores frutas de qualidade, com visual atrativo e muito sabor. Nos próximos meses é que se concentra a produção e colheita das frutas de caroço – pêssego, nectarina e ameixa -, além da maçã, lichia e uvas, principalmente da região de Marialva.
A reportagem da FOLHA conversou com fruticultores de diferentes áreas produtivas do Estado. Eles comentaram que estão satisfeitos com o desenvolvimento das culturas e esperam uma produção que atenda os consumidores. Eles aguardam que, por mais um ano, consigam comercializar as frutas a preços bem atrativos.
"Este é um momento em que esses produtores buscam se capitalizar. Independentemente do cenário econômico nada atrativo, no final do ano os consumidores recebem o 13º salário e acabam investindo nas festas de final de ano. O produtor vai selecionar os seus melhores produtos e colocar no mercado com uma qualidade visual diferenciada, principalmente nas Ceasas, para atrair os consumidores", explica o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Paulo Andrade.
No Paraná, de acordo com o Deral, a área cultivada com frutas com caroço gira em torno de dois mil hectares, com a produção de 2014 fechando em 26 mil toneladas. O Centro-Sul do Estado concentra o cultivo destas frutas, abrangendo cidades de Congonhinhas a Faxinal. "Estes produtores travam uma luta para produzir. Muitos deles sofrem com as geadas tardias (agosto e setembro), o que torna complicado trabalhar com as frutas. Só para se ter uma ideia, em dez anos, a produção de pêssego caiu de 19 mil toneladas para 12,7 mil toneladas, queda de 33% no Estado. Já a área sofreu retração de 1,7 mil hectares para 1,12 mil hectares", exemplifica Andrade.
No caso das variedades de maçã, a situação é mais animadora. A produção se intensifica na região sul do Estado, nas cidades de Palmas e Lapa. A colheita acontece este ano a partir de dezembro, sendo que a geada tardia atingiu apenas algumas áreas específicas, o que deve favorecer a produção. "A produção de maçã hoje, no Estado, é de 52 mil toneladas distribuídas numa área de 1,7 mil hectares. Se por um lado a área de plantio caiu 9,6% na última década, por outro a produção incrementou 10%. Ou seja, o produtor melhorou o manejo da cultura e a produtividade aumentou consideravelmente", relata o agrônomo.
Outra fruta que tem ganhado espaço no Estado de forma significativa e que tem boas vendas no final de ano é a lichia. Na última década, a área aumentou 380%, de 68 hectares em 2005 para 325 hectares no ano passado. "Ainda não temos números fechados da produção de 2015, mas até o ano passado o salto foi de 176 toneladas para 3.060 toneladas. A fruta tem se mostrado bastante viável no Estado", finaliza o agrônomo do Deral.

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