Apesar de todo o know-how brasileiro em "fazer" agronegócio, o Brasil precisa olhar para o mundo e buscar as principais tendências globais para o setor e, assim, conectá-las às tecnologias para evoluir. Essa é a opinião do pesquisador da diretoria executiva de inovação e tecnologia da Embrapa, Cléber Oliveira Soares. "O mundo espera muito em relação a volume, segurança alimentar e credibilidade daquilo que produzimos. São 17 objetivos do Desenvolvimento Sustentável (da ONU) em que precisamos nos alinhar e assim ganhar reputação em cima daquilo que produzimos (e conquistar novos mercados)."

Soares explica que os europeus já nos olham de forma diferente, querem mais do que apenas alimentos, estão em busca de outros valores associados. Para isso, segundo ele, é preciso atentar-se a cinco grandes tendências globais.

A primeira delas é pensar numa agricultura sistêmica, como a lógica da ILPF, intensificação produtiva sustentável, entre outros. "É a carne de carbono neutro, grãos carbono neutro. O mundo olha para isso e, claro, a tecnologia que vem por trás". O segundo ponto diz respeito a estratégia de diversificar, especializar e agregar valor aos produtos. "Não existe um pé de café na Holanda, na França, Itália, Alemanha, nem cacau na Bélgica e eles ganham dinheiro em cima de nós produtores, que trabalhamos dentro das cadeias produtivas. Isso é uma diretriz fundamental, colado na tecnologia que vai alavancar desafios e oportunidades no Brasil", complementa.

A inteligência territorial é outra estratégia que o Brasil precisa trabalhar, "otimizando o sistema de produção numa lógica muito mais regionalizada". "É o que já acontece nos estados do Sul, um conceito de produção territorial bem sólido e que precisa se ampliar para o Brasil afora."

O pesquisador também bate na tecla do foco no consumidor. "A sociedade é o patrão. Se não atendermos os anseios dela com um alimento diferenciado, como acontece com o conceito de 'terroir' na Europa. Aqui no Brasil já temos vinhos com com Indicação Geográfica (IG) (no PR já acontece com o café e a goiaba), e uma potencialidade de explorar isso no País inteiro."

Por fim, o quinto pilar está ligado à economia digital, baseada na infraestrutura global de telecomunicações, internet e tecnologias agregadas, tudo caminhando numa velocidade impressionante. "Precisamos trazer as transformações digitais para dentro dos nosso modelos (de agronegócio)", finaliza. (V.L.)

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