De colonos, viraram fazendeiros
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de dezembro de 1998
Cláudia Barberato 
A história da nova agricultura baiana, especialmente no Oeste do Estado, foi feita com aberturas de áreas de mata nativa, no Cerrado, para plantio do arroz e depois da soja. Esses plantios, inicialmente com baixa tecnologia, renderam pouco. Hoje a região tem várias culturas em expansão, com boas produtividade - casos do café e das frutas, entre outros produtos.
Hoje a agricultura do Oeste baiano, é feita por gente do Sul e soma boas produtividades, afirma o agrônomo Ezelino Carvalho, sócio de uma empresa de planejamento e assistência técnica agropecuária de Barreiras, a 850 quilômetros de Salvador. Carvalho está em Barreiras desde 1984. Mas a ocupação daquela região, segundo ele, deu-se no início dos anos 80. Os primeiros plantios comerciais começaram em 1982, feitos por gaúchos e paranaenses filhos de gaúchos.
Terra barataEm 1984 eram 70 mil ha de área de soja, cultura usada para abertura de áreas nativas; e a partir daí a área dobrava a cada ano. A facilidade era o preço da terra e o crédito. Quem saía do Paraná vendendo 20 ha, por exemplo, comprava 1000 ha no Oeste baiano. Mas era terra para abrir. A relação chegava a 1 ha para 50 ha, ou até para 60 ha. O juro era fixo. Com uma inflação de 100%, na época, a correção era de 16% e 35% de juro fixo, lembra Carvalho.
Agricultores que eram colonos na sua origem, aqui viraram fazendeiros, garante. Com a derrubada e as melhorias, a terra foi tendo valor agregado, mas muita gente ficou no meio do caminho, por falta de experiência. A limitação era a falta de dinheiro para levar adiante os projetos de cultivo.
TecnologiaMuito antes da soja, o arroz já era usado para abertura de áreas, chegando a ocupar 60 mil ha. Normalmente o agricultor chegava, comprava a terra mas não tinha dinheiro para investir na melhoria do solo. A terra é pobre. Necessita de correção, calcário e fósforo. O Cerrado exige tecnologia. O Oeste baiano fica numa região limite entre o Cerrado e Sertão semi-árido.
Desbravar uma área e plantar primeiro arroz, na época da ocupação, era mais econômico e produtivo, já que a lavoura não é tão exigente em relação ao solo. Mas o problema é que o arroz é uma cultura de risco. Se não chover no período de 15 dias na época da formação dos grãos pode-se perder toda a produção.
Radiografia da produção Hoje existem 50 mil hectares de culturas irrigadas na região Oeste, com 500 equipamentos de pivôs centrais. Barreiras é um pólo de 36 municípios no Oeste baiano. Carvalho calcula que existem na região 3 milhões de ha bons para cultivo. Hoje, desse total, são explorados, entre sequeiro e irrigado, apenas de 800 mil a 1 milhão de ha.
Além da produção de soja, milho, café, algodão, arroz e feijão, a região produz tomate (irrigado), mandioca, abacaxi, maracujá, uva, mamão, manga, melancia, abóbora, citros, banana, cebola e outros.
A produção de grãos (soja, milho e arroz) soma 30 mil ha cultivados. O tamanho médio das propriedades é de 800 a 1000 ha. A unidade, para ser rentável, considera o agrônomo, deve ser superior a 500 ha. Ele lembra que é feito na região o cultivo mínimo com palhada, com se fosse um pré-plantio direto. O limitante, para adoção total do plantio direto, com a seca, é a formação de palhada.
No sequeiro existe a soja, com 560 mil ha, com produção de 1.300 toneladas (safra 97/98). A produtividade média regional é de 38 sacas por ha. Boas produtividades chegam a 50 sacas por ha. A previsão da próxima safra é de uma área de 550 mil ha.
O milho ocupou 70 mil ha na safra 97/98, com produção de 400 mil toneladas. O milho, na média do último ano, rendeu 95 sacas por ha. Há produtividades de 110 a 120 sacas/ha. Para a safra 98/99 a previsão é de 90 mil ha.
Boas produtividadesO arroz de sequeiro foi cultivado em 32 mil ha na safra 97/98, com produtividade média de 30 sacos/ha. Existem produtividades de 40 a 60 sacas/ha. A previsão da safra 98/99 é de 40 mil ha cultivados.
O algodão somou 8 mil ha na safra 97/98, com produção de 20 mil toneladas (caroço). A produtividade do algodão está entre 150 e 200 arrobas/ha. A previsão é ampliar a área na safra 98/99 para 12 mil ha, até chegar a 50-60 mil ha. A cultura entra como alternativa na rotação de culturas, com perspectivas de bons preços e aumento anual de área entre 20% e 30%.
O feijão de sequeiro ocupa 10 mil ha. A produtividade é de 30 sacas/ha para o sequeiro e 45 a 50 sacas/ha no irrigado. O irrigado soma 20 mil ha. O Oeste da Bahia tem três safras de feijão por ano.


