Seriedade, organização e muito trabalho garantiram o sucesso da produção de hortaliças da família de Pedro Oliveira Filho. Conhecido como o Rei do Alface, Oliveira buscou auxílio do Programa Nacional de Crédito Fundiário para comprar seis alqueires de terra na região do Distrito de Warta, zona Norte de Londrina. De arrendatário, ele passou a proprietário do terreno que divide com os dois filhos e um cunhado.
Por ser uma área pequena, a família, que sempre trabalhou com olericultura, resolveu dar continuidade à produção de hortaliças diversas. O mercado, conquistado há 10 anos, abrange mais de 10 supermercados e sacolões de Londrina. ''A entrega garantida a qualquer hora do dia é nosso diferencial'', assinala Oliveira.
Ele conta que cada família é responsável por 1,5 alqueire. Apenas o transporte dos produtos até a cidade é feito em parceria. ''Eu e meu filho é que entregamos as mercadorias nos supermercados todas as manhãs, inclusive aos domingos'', afirma.
A produção de mudas é feita pela esposa de Oliveira, dona Vilma, em uma estufa dentro do próprio sítio. Depois de colhidos, os produtos são lavados, ensacados e embalados para a entrega. ''Trabalhamos eu, minha esposa e mais dois funcionários'', declara.
O lucro bruto da produção é de R$ 12 mil mensais, divididos entre as quatro famílias. Acertadas as contas, sobram cerca de R$ 1,5 mil líquidos para cada família todo mês. ''Utilizamos o dinheiro do financiamento apenas para comprar as terras. O restante das benfeitorias da propriedade compramos com recursos próprios'', orgulha-se Oliveira.
Além do sistema de irrigação, eles compraram um trator e novos implementos como canteiradeira, esparramadeira e subsolador. O investimento no transporte também foi fundamental, com a aquisição de um caminhão pequeno e uma caminhonete. ''Reformamos duas casas e construimos mais uma para um funcionário que também mora no sítio'', ressalta.
O olericultor explica que mesmo com a união da família para a compra da terra, os contratos de posse são individuais. Cada um recebeu R$ 30 mil que devem ser pagos em até 20 meses, com cerca de 8% de juros ao ano. Com três anos de carência, a primeira parcela venceu este ano e já foi liquidada por todos. ''Todo mundo pagou a dívida certinho, sem problemas'', comemora Oliveira.
Para o agricultor, o investimento na olericultura foi fundamental para o sucesso do projeto. ''Seria impossível sustentar quatro famílias com seis alqueires cultivados somente com soja'', analisa. Ele acredita que é muito mais rentável possuir uma pequena área próxima de um grande centro urbano do que ter um terreno maior longe da cidade. ''Neste caso, o custo com o transporte das hortaliças pode consumir todo o lucro'', aponta. ''Além disso, estando perto da cidade, podemos atender aos pedidos a qualquer hora'', completa.
Com o lucro obtido com a venda de hortaliças, a família Oliveira já adquiriu outros três alqueires em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), onde pretende cultivar laranja. ''É muito bom investir naquilo que é da gente'', finaliza.

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