Dos 100 mil produtores de algodão dos anos 80, o Paraná tem hoje dois mil, segundo o agrônomo do Deral, Maurício Lunardon. Na avaliação do presidente da Coceal, em Ibiporã, Almir Montecelli os produtores voltaram-se para a cultura de soja. ''A maioria das outras culturas, inclusive o milho, perderam área para a soja'', afirma.
A competitividade da soja seu custo de produção é 40% inferior ao do algodão é um dos obstáculos para a reação da cultura, segundo Lunardon. Outro fator é a falta de uma política de incentivo semelhante à do Mato Grosso, hoje maior produtor da algodão do Brasil.
Muitos produtores ''fogem'' da cultura devido aos gastos trabalhistas. O produtor de Goierê (78 km a oeste de Campo Mourão), Kunitero Shono, construiu sua vida plantando algodão e este ano desistiu da cultura. Na safra de 94/95 cultivou 1.500 ha e contratou 600 trabalhadores volantes.
O alto custo dos insumos e as questões trabalhistas levaram Shono a desistir do algodão. O produtor Hugo Borges, de Santo Inácio (111 km ao norte de Maringá), acrescenta a estas questões, as dificuldades para mecanização da colheita; falta de fretes adaptados (com prensa); algodoeiras não adaptadas para receber o algodão à granel, etc. Borges desistiu do algodão há dois anos, depois de quatro anos cultivando 300 ha.

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