Da vinha ao vinho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de agosto de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
A divulgação dos benefícios do vinho para a saúde humana e o consequente aumento do consumo da bebida pode ser um incentivo à produção de uvas finas no Paraná. A tradição de cultivo de uvas finas para mesa pode facilitar a mudança para produção de variedades para vinificação. O mercado está em expansão e a opção agrega valor ao produto: enquanto um quilo de uva para mesa custa R$ 1,50, uma garrafa de vinho fino pode custar R$ 15,00.
Sérgio Ruffo Roberto, agrônomo e enólogo com formação na Universidade de Cádiz, na Espanha, informa que algumas vinícolas paranaenses produzem vinhos finos, cultivando suas próprias uvas. Uma empresa de Maringá, por exemplo, cultiva em 50 hectares uvas para vinhos tintos e brancos. Uma vinícola que tem instalações modernas em Toledo (oeste do estado) obteve um prêmio internacional. Isso pode ser uma boa oportunidade para viticultores. ''Como a demanda está aumentando, chegará um momento em que as vinícolas vão precisar de matéria-prima'', diz Roberto.
De acordo com o enólogo a pesquisa busca determinar as variedades apropriadas para a região. Estudos já comprovaram a aptidão para as uvas cabenert sauvignon, syrah e malvasia bianchi. Dessa forma, parte dos quatro mil hectares atualmente ocupados com uva para mesa pode ser destinada à produção de uvas para vinhos finos.
Sérgio Ruffo afirma que a tecnologia possibilita o cultivo das uvas. Ele explica que pelo ciclo da uva a colheita acontece nos meses de dezembro e janeiro, época muito chuvosa. A ocorrência de chuvas interfere na qualidade do vinho.
Técnicas de cultivo antecipam a colheita para os meses de maio e junho. A poda e outros tratos culturais induzem a planta a terminar o ciclo nos meses mais secos, a uva fica com um teor mais alto de açúcar, o que garante um vinho de melhor qualidade.
A diferença entre as uvas finas e as rústicas é justamente o teor de açúcar. As variedades rústicas resultam em vinhos comuns porque para a vinificação é necessária a adição de açúcar de cana. ''Esse vinho possui pigmentos instáveis, tem aroma e sabor inferiores'', explica o enólogo.
Porém, o cultivo de uvas finas requer cuidados especiais e tem custo de produção maior porque a planta é suscetível a doenças fúngicas como míldio, antracnose e oídio. As parreiras exigem tratos diários, como o suporte adequado para a trepadeira e podas para a condução dos ramos e controle de pragas. ''É importante também fazer a desfolha para permitir a insolação'', diz.
Para curiosos e iniciados Roberto montou com um sócio uma empresa que oferece cursos sobre degustação de vinhos e consultoria para profissionais da área de alimentação. Os empresários são membros da Associação Brasileira de Enologia. O site www.viawine.com.br contém outras informações.


