Melhor condição para o desenvolvimento das raízes, mais produtividade, além da facilidade de manejo são algumas das vantagens do cultivo suspenso do morango que têm estimulado produtores
Melhor condição para o desenvolvimento das raízes, mais produtividade, além da facilidade de manejo são algumas das vantagens do cultivo suspenso do morango que têm estimulado produtores | Foto: Saulo Ohara



Um vermelho vistoso, suculento, doce e, principalmente, com alta tecnologia agregada. Se existe uma fruta que não perdeu área produtiva no Paraná nos últimos anos, sem dúvida, é o morango. Além da demanda constante no mercado consumidor, uma nova técnica de manejo que chegou de mansinho no passado recente – e ainda gerava desconfiança entre os fruticultores – na safra atual se difundiu por diversas cidades e está transformando a forma de produzir a fruta, melhorando a renda e qualidade de vida de quem aposta na atividade.

Da terra para o alto. Sim, é graças ao cultivo do morango no canteiro suspenso (ou semi-hidropônico) que a fruta está deixando de ser uma aposta para tornar-se realidade no Norte do Paraná. A técnica que faz com que as plantas recebam uma solução nutritiva completa em bolsas plásticas (slabs), que contam com um substrato (material orgânico) para a estruturação do sistema radicular. Tudo começou em Londrina, no ano de 2013, e agora está em cidades como Ibiporã, Rolândia, Alvorada do Sul, Apucarana e até Marialva, como uma fonte alternativa de renda para os produtores de uva de mesa.

No Estado a produção de morangos ocupa uma área de 700 hectares, com a colheita seguindo de julho até o início do ano seguinte. A região Metropolitana de Curitiba (RMC) continua sendo a maior produtora, com 55% da área de plantio. Depois, vem o Norte Pioneiro (40%), em cidades como Jabuti, Pinhalão e Santana do Itararé. "98% do nosso cultivo ainda acontece no solo, mas o que percebemos é um crescimento e interesse cada vez maior pelo slab. Nos dias 20 e 21 de setembro, vou até Jabuti ministrar um curso para 15 técnicos da Emater para incentivar a técnica por lá. Essa é uma tendência que veio para ficar. Participo de grupos de produtores da região Sul do País e só se fala neste sistema", explica o gestor estadual do Projeto Frutas da Emater, o engenheiro agrônomo Elcio Rampazzo.

Pela tecnologia, o produtor precisa dar 100% das necessidades da planta por meio da fertirrigação, com a mistura de até 12 tipos de fertilizantes. Numa área de 250 metros quadrados de estufa e os slabs alocados em estrutura elevada, o produtor consegue plantar três mil pés e, seguindo as recomendações de manejo, colhe em média 2,5 toneladas já na primeira safra. "O investimento numa área dessa é de R$ 25 mil a R$ 30 mil financiados tranquilamente e pagos no primeiro ano. As mudas chegam do Chile no dia 15 de maio e o trabalho começa. É preciso destacar que as mudas precisam ser de origem conhecida e não adianta transferir as plantas do solo para os slabs, porque podem trazer doenças no sistema radicular".

Além de produtividade excelente e frutas com maior valor agregado – que podem ser comercializadas entre R$ 15 e R$ 20 o quilo – uma das principais vantagens dos morangos suspensos está na ergonomia para o produtor, que não precisa se agachar para o manejo. "Quando trabalha no solo, a cada hora o produtor é obrigado a fazer um período de descanso. Com o morango suspenso, ele trabalha o dia todo em pé. É um serviço que depois que a planta estiver em plena produção, se torna bem leve. Não por acaso tem atraído mulheres e idosos para a atividade."

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