Da soja para as frutas: um salto de rentabilidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de outubro de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

Uma pequena conversa na Emater de Santo Antônio do Paraíso e já é possível perceber que os produtores da região próximos à cidade estão animados com a nova fábrica de processamento de frutas. Muitos deles, inclusive, estão procurando o instituto com o objetivo de fazer os projetos com auxílio dos extensionistas para a captação de recursos e, assim, iniciar na atividade.
A certeza da comercialização dos produtos faz com que eles fiquem seguros em captar o dinheiro, com início dos pagamentos, em alguns casos, previstos para o mesmo período em que as primeiras safras começarem a ser colhidas. Ou seja, fôlego para trabalhar. O momento agora é de ajustar o contrato com a empresa, além de selecionar a melhor área e as frutas para o plantio.
Edivaldo Dias é um desses produtores animados com o trabalho. Nascido em Bom Sucesso (PR), ele está em Santo Antônio do Paraíso desde 1980. Como produtor, atua numa área de 55 alqueires, entre terras arrendadas e próprias. Ele leva a reportagem da FOLHA até a área em que vai iniciar o plantio de frutas: em torno de três alqueires, com a expectativa de aumentar, caso o negócio embale.
Como muitos produtores da região, Dias sempre apostou nos grãos: soja, milho safrinha e trigo. Nesta safra atual, com os problemas para o plantio da oleaginosa devido à falta de chuvas, já perdeu a janela para o safrinha e terá que apostar no trigo. No passado, também já trabalhou com hortaliças, que segundo ele têm ótima rentabilidade, mas a falta de mão de obra inviabiliza o trabalho. “Quando surgiu a oportunidade com as frutas, pensei que poderia valer a pena. A empresa nos passou muita segurança. Pensando no manejo (mais simples), decidimos apostar na manga e na goiaba.”
O produtor relata que fez o projeto junto à Emater e financiou os recursos em 100% no banco. O valor inicial para o plantio gira em torno de R$ 30 mil. As mudas já foram adquiridas na empresa: média de 1,3 mil plantas de manga e 1,5 mil de goiaba. A expectativa é plantar o quanto antes, aguardando apenas uma chuva mais consistente. “A empresa nos passou que em dois anos já é possível fornecer algum volume. Vou começar a pagar o banco após três anos. São oito anos no total para pagar esse investimento.”
Sem expertise na fruta, um ponto que sem dúvida deu segurança para Dias é que a empresa se responsabiliza pela assistência técnica e cuidados ao longo da safra. “No começo a gente fica com dúvida, o investimento é alto, mas eles passaram essa segurança. Em relação ao retorno, se fala em R$ 30 mil a R$ 40 mil por alqueire/ano. Isso dá oito vezes mais do que a soja.”
Outro ponto que animou o produtor é a possibilidade de, aos poucos, ir trocando as commodities pela fruticultura. “Numa segunda etapa do projeto, eles podem abrir mais espaço para quem já está como parceiro.”
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