Fonte de carboidratos (fornece energia ao organismo), a mandioca é uma boa opção de alimento em todo o mundo, principalmente em países em desenvolvimento. A vasta área plantada - aproximadamente dois milhões de hectares e uma produção de 23 milhões de toneladas da raiz - coloca o País na lista dos principais produtores mundiais e o brasileiro entre os grandes consumidores.
Além do valor nutricional, a ingestão adequada de carboidratos ajuda no controle da pressão arterial e dos níveis de açúcar no sangue. Outro fator que torna o produto bastante consumido, além do sabor, é o preço. Nos supermercados é possível encontrar o quilo da mandioca descascada por menos de R$ 2.
Para facilitar a vida da dona-de-casa, produtores e mercados oferecem o produto limpo, descascado e em pedaços ou a versão industrializada prontinha para o consumo. Há ainda os derivados da raiz, como o amido e a farinha que integram a lista de ingredientes de receitas saborosas e nutritivas. A variedade de pratos à base de mandioca é tema de um dos cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de aprendizagem Rural (Senar) a produtores e trabalhadores rurais. O último deles ocorreu nos dias 13 e 14 de agosto no Centro de Treinamento Agropecuário (CTA) de Ibiporã.
Nestes dois dias um grupo de mulheres e um único homem, o produtor Sebatião Macedo, aprenderam desde a colheita da raiz, até o preparo da massa que pode ser transformada em diversos tipos de pratos. Um processo trabalhoso, mas que confere ao produto final um sabor diferenciado.
O curso começa com uma parte teórica, onde os participantes aprendem com a instrutora, Maria Luzinete Pina Zanin, todas as regras de higiene e as possibilidades de transformação da mandioca. ''Sempre temos uma dica diferenciada para o melhor aproveitamento dos alimentos'', ensina Malu, como é conhecida. Há três anos ela integra a equipe de instrutores do Senar, além de oferecer cursos particulares de transformação de alimentos em todo o Paraná e no sul de São Paulo.
Encerrada a parte teórica, os integrantes se movimentam para pôr a mão na massa, vestidos com roupas brancas, touca e máscara para não correrem o risco de contaminar os alimentos. Com o beneficiamento, é possível conservar a mandioca por um período de três a seis meses, até a utilização ou comercialização.
Depois de lavada, a mandioca é ralada e a massa úmida produzida é espremida em um pano seco. O caldo obtido, depois de seco se transforma em polvilho, que pode ser usado na confecção de bolachas, tapiocas e massas para bolos. A massa mais seca passa por vários processos de peneira e se transforma na farinha de mandioca, também utilizada para a fabricação de pães, roscas e bolos. O ideal, de acordo com a instrutora, é peneirar o produto cinco vezes. ''Teremos uma farinha mais fina, melhor para ser trabalhada'', afirma a instrutora.
Outra técnica é para o preparo de pratos a partir da mandioca cozida. Depois de amassada com um garfo e sovada, a massa obtida (parecida com a massa para pão) pode ser aproveitada para a confecção de tortas doces ou salgadas, lasanhas, nhoque, macarrão e até pastel. O segredo está no recheio dos pratos, que podem ser de carnes e legumes.
As receitas detalhadas estão no manual ''Trabalhador na Transformação da Mandioca'' do Senar que orienta o curso e é distribuído gratuitamente aos participantes. Nele estão sugestões de pratos que foram testadas pelos alunos do curso, logo depois de processada a mandioca.

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