Dá dinheiro e respeita o meio ambiente
''A criação de tilápias em tanques-rede é rentável e ecologicamente correta. Não existem razões técnicas, nem científicas para se afirmar que a atividade possa provocar um desequilíbrio ecológico na Bacia do Paranapanema''. A afirmação é do professor Júlio Hermann Leonhardt, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que é doutor em aquicultura. A tilápia, afirma, é uma espécie estabilizada não só na bacia do Paranapanema mas em outras do País.
O peixe foi trazido pela CESP, antiga empresa paulista de eletricidade, para repovoar o rio atingido pelo impacto das usinas hidrelétricas. Mesmo assim não se tornou a espécie predominante. ''A tilápia só se destaca em rios onde a qualidade da água é ruim porque as espécies nativas desapareceram'', garante. Por ser presa fácil de peixes nativos predadores, como a piranha, a tilápia se concentra em regiões rasas ou margens. A reprodução das tilápias, instaladas no rio, é dificultada pelas espécies forrageiras, como o lambari e o acará, que comem o peixe em sua fase larval.
Para o professor a atividade não pode ser acusada de poluir as águas. Os tanques são elaborados de forma que impedem a saída, tanto dos peixes como de restos da ração. As normas para a instalação dos tanques prevêem uma distância mínima entre o fundo dos tanques e o fundo do rio para dar condições de renovação da água. Alguns grãos que ainda conseguem se soltar dos tanques podem servir de alimento para as espécies nativas, contribuindo para o aumento da população.
Os dejetos dos peixes, segundo o professor, são aproveitados por lambaris, acarás e também por uma espécie de caramujo (considerado o filé mignon na alimentação de pintados, pacús e dourados). ''Fechamos o ciclo da cadeia alimentar dos peixes nativos'', ilustra.
Mesmo com todo cuidado dos criadores na criação das tilápias, o Ibama, afirma o professor, não está aberto para discutir a liberação das licenças ambientais e ouvir pesquisadores e técnicos sobre o assunto. Segundo ele, várias cartas foram enviadas ao Ibama, das quais não obteve respostas. ''É revoltante a posição do Ibama, pois não levam em conta os argumentos do meio científico''.
No Paraná, a posição do Ibama, de acordo com o professor, está afastando recursos que a atividade poderia proporcionar. Ele cita a proposta de uma empresa que desistiu de investir US$ 1,5 milhão no cultivo das tilápias. (C.G.)





